Desde o início do ano e até ao final de maio, foram disponibilizados 37 terrenos agrícolas de privados através da Bolsa de Terras (BT), colocando o saldo final nos 1444,03 hectares. Para o Ministério da Agricultura, a dinâmica registada, "pode indiciar o princípio de uma fase de acréscimo na disponibilização/publicitação de terras na BT".
A evolução verificada nos primeiros cinco meses do ano contraria o decréscimo ocorrido desde 2017, embora os primeiros anos da Bolsa de T, que arrancou em 2014, tenham sido marcados por "um aumento continuado" do número de terras disponíveis na plataforma.
Já no caso da cedência de terras, a história é outra. Ao contrário do decréscimo nas que são disponibilizadas, tem havido "um aumento contínuo das terras cedidas", com um saldo acumulado que já totaliza os 8028,99 hectares, um montante que, para o Ministério da Agricultura, "reflete a utilização da Bolsa de Terras por parte de proprietários e de potenciais interessados em desenvolver atividades agrícolas, florestais ou silvopastoris".
Em número, são os privados quem disponibiliza na BT a maior quantidade de terras, mas, em área, a maior percentagem tem origem em entidades públicas, tanto para venda, arrendamento ou outros tipos de cedência (comodato, permuta ou doação).
Mas com uma particularidade: as candidaturas às terras do Estado apenas podem ocorrer quando há abertura de concursos nacionais, tendo até agora apenas sido realizados dois: em 2014, no qual foram cedidas 19 terras para arrendamento, e em 2015, quando foram cedidas 17 também para arrendamento. Sabe-se que, para esses concursos para as terras do Estado, foram os jovens agricultores, entre os 18 e os 40 anos, os principais arrendatários.
De acordo com dados solicitados ao Ministério da Agricultura, na totalidade da oferta, o distrito de Beja lidera em termos de área disponibilizada e o de Évora representa 43% da área cedida, embora Beja e Castelo Branco também se destaquem nas cedências.
Quanto às culturas praticadas nas áreas em causa, o Ministério apenas tem dados ainda relativos aos dois concursos de 2014 e 2015, quando se destacou a produção de pinha, bem como de cereais, hortícolas e frutícolas (no primeiro concurso) e, de novo, de cereais, além de forragens, pastagens e produção animal (no segundo concurso).
Não há informação sobre os contratos praticados entre particulares, uma vez que a Bolsa de Terras é apenas intermediária entre a oferta e a procura, justifica o Ministério.
Os interessados podem consultar a informação disponibilizada online pelo proprietário e estabelecer um contacto direto. Sem mais referências, e a título meramente indicativo, o Ministério da Agricultura apenas assinala que o site registou 1369 acessos durante o mês de abril.