Entre bolos e almofadas fazem-se bons negócios

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Licenciada em Biologia Celular e Molecular em Inglaterra, para

onde foi com 17 anos, Sara Neves, hoje com 27, não demorou muito a

perceber que o seu futuro passava menos pelas Ciências e mais pela

área criativa.

Depois de um ano em São Francisco (EUA) pelo programa Inov

Contact, ainda na sua área de formação, voltou a Londres para

fazer um mestrado em Gestão e, já em Lisboa, começou a trabalhar

em marketing. Mas foi na publicidade que encontrou a sua vocação.

Hoje a trabalhar na agência Born - que tem clientes como o

Continente, a Cin ou a Escom -, a curiosidade levou Sara a

lançar-se em dois negócios próprios nos (poucos) tempos livres.

Que nada têm que ver com o seu currículo ou sequer um com o outro:

a Moga Pillows, uma marca de almofadas para animais de estimação, e

a Caking, um site de bolos por encomenda.

"A Moga nasceu um pouco por necessidade: quando adotei o meu

cão, o Artur, e comecei à procura de camas não encontrei nada de

que gostasse, nada que aliasse dois aspetos que considerava

importantes, uma estética razoável em algo que fosse confortável",

conta. Foi então que se lembrou que podia fazer ela mesma a cama do

Artur. Mas como é que daqui a ideia evoluiu para o negócio que

lançou em fevereiro? "Apercebi-me dessa lacuna no mercado; havia

de certeza pessoas como eu, por isso lembrei-me de experimentar fazer

mais almofadas e vendê-las."

Para isso, Sara Neves fez um curso de costura - "não sabia

costurar e tinha alguma curiosidade nessa área" -, comprou uma

máquina, tecidos e materiais, num investimento total de cerca de mil

euros, e começou a produzir. "A aceitação foi ótima, mas

reconheço que este é um negócio de nicho, por isso vai demorar

algum tempo a arrancar." O que não impede Sara de já pensar em

crescer. "Vai demorar o seu tempo, mesmo porque preciso de tempo

para trabalhar [é a própria Sara que faz cada artigo]. Cada

almofada-cama - há-as em três tamanhos e dois formatos, custando

as mais caras entre 37,5 e 57,5 euros - demora uma tarde a fazer",

explica. Por isso, apesar de já estar a perspetivar a forma de

começar a vender mais e até para fora, precisa de investir algum

tempo para ter um stock que lhe permita alargar o negócio.

Tempo livre é, porém, algo que escasseia na vida agitada desta

recém-feita empresária. Mesmo porque, há menos de um mês, decidiu

lançar um segundo negócio que nada tem que ver com o primeiro: a

Caking, um site de venda de bolos. A paixão pela cozinha e, uma vez

mais, a perceção de uma lacuna no mercado levou Sara a atirar-se a

mais um desafio. "Sempre adorei cozinhar e achei que fazia falta um

sítio onde pudéssemos encomendar bolos que não fossem

ultrassofisticados, mas fossem bonitos e saborosos. Daqueles que se

calhar não compramos para um aniversário mas gostávamos de poder

encomendar para um jantar de amigos ou assim."

Acabada de nascer, a Caking tem outra originalidade: preços

abaixo dos que se praticam nas pastelarias. Um bolo para oito a dez

pessoas custa 15 euros e um para 14 pessoas chega no máximo aos 20

euros. "É um negócio muito mais imediato, em que quase não

precisei de investir - foi só comprar alguns estacionários e

criar a imagem. De resto, são os ingredientes que vou comprando à

medida que preciso", conta a fazedora.

E ambos os negócios são para manter? Sara Neves assegura que

sim. "E para crescer, quando for possível!"

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