Este é o ano da internacionalização da consultora de comunicação Lift Consulting, bem como o regresso da agência fundada por Salvador da Cunha às privatizações.
Salvador da Cunha revela a estratégia da empresa para 'atacar' um mercado lusófono onde os seus concorrentes no mercado português, já marcam presença, assim como a opção para as privatizações onde diz já ter um "simpático" número de clientes.
Como surgiu esta oportunidade de lançar a Lift Angola com um parceiro local?
Estávamos há vários anos à procura de uma oportunidade para entrar em Angola. Apareceu com a Back, uma das maiores agências de publicidade angolanas a desafiar a Lift para gerir a carteira de clientes na área de consultoria de comunicação e relações públicas. Estudamos durante cerca de três meses o processo, decidimos entrar em finais de Julho, depois de uma visita a Angola, de conhecer a empresa, as pessoas e os projectos.
Falamos de quantos clientes? A empresa já tem uma direcção?
O Miguel Jerónimo, connosco há cinco anos, vai coordenar o trabalho da Lift em Angola e, ao mesmo tempo, gerir com as nossas práticas a empresa angolana. A empresa ainda não está formada, vai sê-lo nos próximos meses, mas já está a funcionar com a carteira de clientes que existia. A equipa de três passou a quatro pessoas, temos seis clientes fixos, como a Vini Portugal, Turismo da África do Sul, a rede Globo, a Sab Miller, e pontuais, como o BFA - Banco Fomento de Angola.
Qual é a estratégia de ataque ao mercado?
Vamos começar anunciar aos clientes da Lift em Portugal e da Back que a empresa existe Temos capacidade de absorver mais dois ou três clientes e depois a ideia é evoluir.
Em Portugal desenvolvem actividade desde a assessoria de imprensa aos eventos. Levam essa lógica integrada para Angola?
Não. Para já vamos desenvolver a área de assessoria de imprensa e de consultadoria em comunicação. Temos também um pé da nossa unidade digital (através da Up Digital), mas a Back tem muita experiência na área dos eventos e da publicidade, enquanto grupo Lift não nos vamos envolver. Pontualmente, vamos vender conteúdos, através Word Lab.
A Lift chega a Angola depois da C&C, da LPM, da Cunha Vaz & Associados e da Young Network. Não é demasiado tarde?
Não. Chegamos com a oportunidade de não fazer as coisas de raiz. Foi essencial chegarmos com uma posição que, se não é de liderança, está perto disso. Estarmos de forma incipiente, como algumas consultoras estão, não nos interessa. É um mercado que é o dobro do nosso em termos de população e tem até seis agências de comunicação. Portugal tem 100. Há espaço para crescer.
Esta ida também significa que o grupo já não tem mais espaço para crescer em Portugal?
O grupo ainda tem espaço para crescer em Portugal. Este ano não será de crescimento para a Lift, mas não foi por isso que fomos à procura do mercado angolano. Surgiu uma oportunidade e agarrámos. Poderá acontecer noutros mercados.
Outras agências expandiram-se para o Brasil e mercados lusófonos.
O mercado de Moçambique é uma oportunidade que se coloca. O Brasil não está, para já, nos nossos planos.
As empresas queixam-se de que é difícil retirar o dinheiro de Angola. Não receia esse problema?
Não. A perspectiva é de médio/longo prazo. Os primeiros dois anos serão de investimento; depois a ideia é investir parte dos resultados no crescimento da Lift em Angola.
Qual o objectivo de facturação para a Lift Angola?
Deveremos facturar este ano à volta de 250 a 300 mil euros (cerca de 400 mil dólares). Mas ainda não tenho objectivos para 2012, o ano completo.
Mas quanto gostaria que representasse na facturação do grupo?
O grupo facturou o ano passado à volta dos seis milhões. Este ano deve ser um bocadinho abaixo disso, mas se representar 10% seria excelente. Mas é prematuro.
As privatizações, os parceiros, os clientes
Relançaram a Lift Finance para participar nas privatizações. O concurso da REN foi ganho pela Cunha Vaz.
Não fomos competitivos em termos de preço, apesar de o nosso ter sido bastante abaixo do normal. Como a Lift não é uma instituição sem fins lucrativos não trabalha abaixo de determinadas condições. Se outros concorrentes conseguem trabalhar nessas condições, perfeito para eles. O mercado é livre.
Esse desfecho não vos leva então a repensar a estratégia?
Não. Até porque já temos um conjunto simpático de clientes.
Quão "simpático"?
Dois clientes novos, candidatos a privatizações na área dos transportes - um nacional e outro internacional. E em perspectiva há dois candidatos a energéticas, ambos internacionais.
Para as privatizações a Lift vai ter um conjunto de parceiros locais e internacionais. Quem são?
Reforçámos as nossas competências em investor relations e com a parceria international com o grupo Smithfield, o braço armado na área financeira da Burson Marsteller. Para as privatizações em Portugal estamos mais preparados para ajudar os candidatos à compra do que o govermo português.
Quem são os parceiros locais?
O Miguel Lemos, da Vestigo, vai estar connosco em todas as propostas que tenham incluída a área de investor relations. O outro parceiro é o José Quintela, da Quintela & Reis, que vai a comunicação financeira. Cada vez que for necessário essas competências dos nossos parceiros vamos buscá-las.
A hipótese de uma empresa autonóma está então afastada?
Depende do volume que a empresa puder vir a ter. Neste caso, com o volume que temos não se justifica.
Disse que este não vai ser um ano de crescimento da Lift. O que se passou? Perdeu-se clientes?
Não só não perdemos, como ganhamos. Na área dos eventos estamos a 60% do que estávamos o ano passado, na comunicação digital estamos a 200% do que estávamos no passado. No conjunto estaremos 2 a 3% abaixo do ano passado, se calhar 5 ou 6%, ainda não fechamos o ano. Não é uma coisa que nos preocupe muito porque em termos de margens operacionais estamos em linha com o orçamentado.
A expectativa de quebra do investimento publicitário este ano é da ordem dos dois digitos. Para o mercado da comunicação como será o fecho do ano?
O mercado de eventos diminuiu significativamente este ano. A assessoria de imprensa é uma actividade muito estável, portanto, não é por aí que as coisas correm mal se o serviço for prestado com qualidade. O que vimos é que há um conjunto grande de empresas a prestar um serviço com má qualidade e essas, de facto, estão a ficar com problemas, mas em alturas de crise é altura ideal para fazer a triagem entre o bom e o mau. O mercado da comunicação deverá estar a cair entre 5 a 10%.