Escassez global de chips chega às torradeiras e máquinas de lavar. TSMC expande produção

Há cada vez mais setores que dependem da eletrónica afetados pela escassez de chips. Cisco admite que normalização só deve chegar em 2022. Atrasos chegam às torradeiras e máquinas de lavar, além da indústria de smartphones e automóvel. Gigante TSMC expande produção na China.
Publicado a

A crise global de chips continua a aprofundar-se e agora está a espalhar-se para os fabricantes de smartphones, televisores e eletrodomésticos, de acordo com fornecedores na Ásia, à medida que as empresas aumentam os stocks de semicondutores.

O fornecimento de chips diminuiu devido à procura explosiva de aparelhos eletrónicos durante a pandemia e às interrupções em grandes instalações de produção, nomeadamente no maior produtor mundial, a TSMC, de Taiwan, que se tem desdobrado em novos projetos para expandir a produção, incluindo na China.

A escassez foi agravada pela acumulação das sanções dos EUA a grupos chineses, o que tornou mais difícil para algumas empresas garantir componentes para eletrónicos de uso diário de margem baixa e de tarefas simples, como máquinas de lavar e torradeiras.

Entretanto, a gigante taiwanesa (TSMC) anunciou que vai aumentar a sua capacidade de produção dos semicondutores de 5 nm (e travar outros mais avançados) já durante este trimestre. A Apple bem pode agradecer, já que é a principal cliente da TSMC para os chips de 5nm e já terá reservado 80% desta produção, de acordo com a imprensa local.

A TSMC anunciou, esta segunda-feira, um projeto para de 2,8 mil milhões de dólares para expandir a sua fábrica de chips para a indústria automóvel - também afetada - na China (em Nanjing).

A Samsung Electronics e LG Electronics, da Coreia do Sul, estão entre os grupos que estão a sentir já os problemas dos atrasos de produção que devem durar até 2022.

A Samsung começou a reduzir os pedidos de alguns componentes dos seus smartphones este mês, de acordo com dois dos principais fabricantes de peças e já depois da maior fabricante de chips do mundo ter alertado em março sobre o que diz ser "um sério desequilíbrio na oferta e procura" de semicondutores.

Um grande fornecedor da Samsung admite ao Financial Times que os processadores, drivers de vídeo, sensores vários e câmaras são os componentes mais afetados pela falta de semicondutores, daí a inevitável quebra de vendas. Ainda assim, na Coreia do Sul espera-se que a situação melhore em junho.

Koh Dong-jin, CEO da Samsung, alertou já o mês passado sobre possíveis problemas no segundo trimestre por causa da escassez de chips, admitindo que a empresa pode ter que adiar o lançamento de um dos seus smartphones de última geração até ao ano que vem. A Samsung também é um importante fabricante de chips através do seu negócio de fundição.

A LG, uma grande fabricante de eletrodomésticos, admitiu que a falta de chips ainda não interrompeu a sua produção, mas admitiu que é um risco. "Estamos monitorando de perto a situação, pois nenhum fabricante pode ficar livre do problema se ele se prolongar", disse a empresa.

Os problemas na indústria automóvel também já se fizeram sentir, com a General Motors a entregar algumas das suas pickups sem algumas funções (como a autonomia dos veículos) para não ter de esperar por chips em falta.

Já ontem a Cisco admitiu que é provável que até ao final do ano - especialmente no próximos seis meses - existam atrasos pela falta de semicondutores. Foi isso que o líder a empresa norte-americana Chuck Robbins disse à BBC. "Os fornecedores estão a construir mais capacidade que irá ficar melhor nos próximos 12 a 18 meses", adianta.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt