O Banco de Espanha informou, que em março, 66 mil milhões de
euros saíram de Espanha. É a mais pronunciada fuga de capitais de
que há registo desde que estes dados começaram a ser compilados, em
1990. Como comparação, recorde-se que, em março de 2011, entraram
em Espanha 5,4 mil milhões de euros.
Quanto tempo falta para que Espanha entre em colapso? Um mês?
Pode parecer exagerado pensar assim. Porquê? Porque não estamos
habituados a pensar em termos de dinâmicas.
Disse aos meus alunos de Finanças Comportamentais para lerem "The
Tipping Point", de Malcom Gladwell. A principal razão é que se
trata de uma análise detalhada de como se geram as dinâmicas que
nos levam de um equilíbrio a outro. Acredito que, em Espanha, se
chegou ao ponto de viragem. Este é o momento a partir do qual se
pode gerar contágio ou pânico. E o facto de os euros estarem a
desaparecer à velocidade que estão só mostra que seguramente as
coisas pioraram em abril e maio.
Mas isto é o que realmente importa: não sou eu que acredito que
isto está a acontecer, são os preços que o mostram.
Os credit default swaps espanhóis, que revelam quão caro é
cobrir um eventual incumprimento, estão a registar novos recordes. O
que nunca pode ser bom. O mercado está a assinalar que cada vez
considera mais provável que Espanha não consiga pagar a sua dívida.
O euro está a enfraquecer por causa da Grécia ou de Espanha? Por
causa dos dois países. Mas Espanha seria um golpe tão grande que
resultaria no fim do euro. Qual é a melhor forma de prevenir-se?
Comprando obrigações alemãs, já que, no dia em que o euro
desapareça, essas serão automaticamente transformadas em marcos
alemães - que darão um salto no valor, cotando à frente do resto
das moedas do mundo.
Por último, se as pessoas estão a tirar o dinheiro
dos bancos espanhóis, tenho de aconselhar os meus amigos espanhóis
a fazer o mesmo o quanto antes. Os políticos vão tentar travar a
fuga de capitais (estou convencido de que já estão a fazê-lo).
Inclusivamente, há pouco mais de um mês, escrevi Corralito em
Espanha por considerar suspeitas algumas medidas tomadas pelo país.
Não esperem: tirem o dinheiro dos bancos. É a
única forma de protegerem os capitais, produto do trabalho de uma
vida. Na Argentina tivemos uma experiência terrivelmente
desagradável em 2001. Não deixem que vos aconteça o mesmo. Se não
acontecer nada, melhor. Mas o risco hoje é bem real.
Gestor de ativos
Escreve à segunda-feira
miguel@cartafinanciera.com