Presente em Portugal desde 2019 - através da aquisição realizada no ano passado da AHP (fornecedor de serviços cloud), cujas operações continuam a ser lideradas pelo administrador José Ferreira Cruz -, a Gigas acaba de fechar a compra da ONI, por 40 milhões.
Com esta aquisição, a empresa espanhola especializada em serviços de cloud computing prevê "quadruplicar as receitas consolidadas para os 50 milhões de euros e triplicar o EBITDA ajustado para os 10,2 milhões de euros", tornando-se assim num player líder em Portugal, com oferta integrada de serviços convergentes de cloud, telecomunicações e cibersegurança destinados a empresas.
O acordo vinculativo com a sociedade de investimento GAEA Inversión para a aquisição da ONI, operadora de telecomunicações líder no segmento empresarial em Portugal e parte do Grupo Cabonitel, foi firmado esta tarde. "A GAEA, gerida pela lnveready, que hoje é obrigacionista da Gigas, após uma reorganização acionista e societária da Cabonitel, passará a deter 100% do capital social da ONI. O preço da transação foi definido em 40 milhões de euros (valor patrimonial)", comunicou a empresa.
A ONI vai terminar este ano com receitas estimadas de "37,3 milhões de euros e um EBITDA normalizado de 7 milhões de euros", pelo que a Gigas, com esta aquisição e a anunciada em setembro da operadora irlandesa Ignitar (2 milhões em receitas e 700 mil euros de EBITDA) prevê atingir receitas proforma totais neste ano de "aproximadamente 50 milhões de euros e um EBITDA consolidado proforma ajustado (excluindo custos de M&A) de cerca de 10,2 milhões de euros".
A empresa especifica a mais-valia conseguida em serviços, uma vez que a ONI, com 165 pessoas "altamente qualificadas", fornece serviços de telecomunicações, cloud e TI/Segurança a cerca de 1100 grandes e médias empresas, bem como serviços de retalho de voz e dados para outras operadoras de telecomunicações; detém dois centros de dados próprios (Lisboa e Porto), redes de fibra metropolitanas em Portugal e uma rede de fibra que liga Madrid a Lisboa e Porto, e que irá favorecer a integração de serviços e operações com a Gigas na Península Ibérica.
"A venda foi concluída por 40 milhões de euros (43 milhões de euros de Enterprise Value), o que representa um múltiplo EBITDA de 6,1x, inferior ao atual múltiplo de cotação da Gigas. 62% do valor será pago em ações da Gigas recém-emitidas, pelo que após a compra, a empresa de capital de risco GAEA/Inveready tornar-se-á na principal acionista da Gigas e irá proporcionar estabilidade financeira e um histórico e conhecimento comprovados em telecomunicações e M&A. Os restantes 38% do valor serão pagos em dinheiro, através de dois aumentos de capital que serão submetidos à aprovação da Assembleia Geral Extraordinária convocada para o dia 17 de novembro, e o restante em ações da Gigas recém-emitidas. Esta estrutura demonstra o pleno alinhamento da GAEA/Inveready com a nova estratégia anunciada pela Gigas de expandir a sua atuação para o mercado de telecomunicações", acrescenta a empresa espanhola.
"Concluída a operação e os aumentos de capital, a Gigas manterá uma posição de tesouraria na ordem dos 7 milhões de euros e uma dívida financeira líquida de 5 milhões de euros, assumindo apenas 0,5 vezes o EBITDA resultante, o que permitirá à empresa abordar novas aquisições aproveitando a sua capacidade de alavancagem. Neste sentido, a Gigas está em processo de due diligence para adquirir uma carteira de clientes empresariais de telecomunicações em Espanha."
Relativamente aos aumentos de capital, adianta ainda a Gigas no âmbito desta operação, o primeiro, "no valor de até 17 milhões de euros, exclui direitos de subscrição preferenciais e destina-se a investidores estratégicos que proporcionem estabilidade a longo prazo, enquanto o segundo aumento de capital, com direito de subscrição preferencial, num montante de cerca de 4 milhões de euros, destina-se aos atuais acionistas, retalhistas e instituições". Ambos os aumentos de capital serão realizados ao preço de 6,25 euros por ação.
Com esta aquisição da ONI, a Gigas inicia assim a nova fase no processo de se tornar um "operador relevante no mercado de serviços convergentes de telecomunicações, cloud e segurança para empresas da Península Ibérica, reforça a sua oferta de produtos para ser um fornecedor abrangente (one stop shop) às empresas e agrega uma equipa humana e capacidades de telecomunicações em Portugal que, juntamente com a experiência da Gigas em virtualização e a sua rede global de centros de dados, irão constituir a base para o lançamento de serviços de telecomunicações OTT (over the top, ou seja usando redes de terceiros)" para outros países.