Em tempo de pandemia, novos desafios colocaram-se às empresas. Umas vão suportando as dificuldades melhor do que outras, realçou Nuno Maia da Silva. O diretor-geral da AISET - Associação Industrial da Península de Setúbal sublinhou que há empresas mais robustas que têm capacidade para aguentar meses de menor fulgor, mas que há outras que enfrentarão mais problemas.
"No nosso caso, estamos a falar de empresas industriais. As comerciais e de turismo acreditamos que estejam a passar por um mau bocado. As industriais têm alguma variedade", começou por explicar. "A maior parte são exportadoras, dependerem muito da procura global. Esta arrefeceu no mundo inteiro. Há menos encomendas e um menor nível de produção. Mas as grandes empresas industriais são relativamente robustas e podem suportar durante alguns meses um período de exercício menos favorável", assegurou ao Dinheiro Vivo.
Entre as que poderão ter maiores dificuldades, Nuno Maia da Silva destacou as que "são mais mono produto ou mono cliente", como é o caso da indústria da aeronáutica. "Ninguém vai fazer aviões novos nos próximos tempos", exemplificou, acrescentando a indústria petrolífera, pois "há menos procura, porque há menos consumo de combustíveis".
O responsável da AISET sublinha que é um problema conjuntural, que vai durar mais alguns meses. "Esperamos que as empresas consigam suportar esta travessia no deserto e, sobretudo, aproveitem este momento para preparar os novos paradigmas da descarbonização e da digitalização", afirmou.
Neste aspeto, coloca-se um dos problemas focados no debate do Fórum PME Global Ageas Seguros: é necessário financiamento que não é fácil de conseguir na península de Setúbal.
"É um drama burocrático em que estamos envolvidos. Lisboa, Oeiras, Cascais têm muito turismo que tornam artificialmente essa região rica, criando divergências entre a zona rica e a zona pobre", desabafou. Ao ser integrada na área metropolitana de Lisboa, a península de Setúbal viu aumentarem as dificuldades em aceder a mais financiamento europeu, afastando assim possíveis investidores.
O mesmo acaba por acontecer com o pacto verde europeu, que se destina a apoiar as empresas na transição para a descarbonização e para a digitalização. O responsável alerta para a necessidade das empresas terem acesso a esse financiamento, pois na península de Setúbal há várias empresas com o perfil elegível a esse investimento (indústria automóvel ou cimento, por exemplo).