Esta é a nota mais popular do mundo. Descubra porquê

As notas de 100 dólares estão no topo da lista dos papéis-moedas mais populares do mundo. Motivos vão da crise financeira às atividades ilícitas
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Desde 2017, as notas que ostentam o rosto de Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA, são aquelas que têm o maior número de exemplares em circulação. Há cerca de 20 anos, a ordem de popularidade das moedas mundiais era evidente: no primeiro lugar estava a nota de um dólar, com cerca de sete milhões de exemplares em circulação; seguida da nota de 20 dólares, com 4,5 milhões e no terceiro lugar, a de 100 dólares, com três milhões em circulação.

Ao longo das duas últimas décadas, a nota de 100 dólares é a que mais aumentou a sua circulação. O crescimento registado foi de 333%. Os economistas apontam dois motivos para a elevada circulação recente das notas de 100 dólares. Um deles está relacionado com os impostos e as regulamentações de ordem burocrática.

De acordo com Kenneth Rogoff, economista da Universidade de Harvard, "as notas de alto valor são frequentemente usadas para evitar impostos ou regulamentações". "Todos os dias, apartamentos e casas nas principais cidades do mundo são pagos com malas em dinheiro, e não porque os compradores temem que o banco vá à falência".

O outro motivo é mais inesperado. Grande parte da circulação destas notas não ocorre no espaço norte-americano. Quase 80% das cédulas estão fora do país, um valor percentual que era de cerca de 30% em 1980, de acordo com o Federal Reserve Bank de Chicago.

A razão para o crescimento desta procura internacional pode ser resumida a dois aspetos: a desconfiança na moeda local e a relação entre as moedas de alto valor e as atividades ilegais. Em relação à primeira, a economista do Fed, Ruth Judson, diz que parte da procura externa por dólares é impulsionada "pelo seu estatuto como um ativo seguro".

A busca por dinheiro, especialmente noutros países, aumenta em tempos de crise política e financeira”, disse Judson à revista Econ Focus da Reserva Federal de Richmond em 2018. Contudo, o aumento do dinheiro no momento em que as transações virtuais fazem parte da vida quotidiana nem sempre envolve um movimento ilegal. Rogoff diz que, paralelamente aos grupos clandestinos, a demanda legal também aumentou "devido ao nível excecionalmente baixo das taxas de juros e da inflação".

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