Esta loja é uma revista e um blogue

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Pedro Caride trabalha em moda há 15 anos, mas quando, na semana passada, foi convidado a ir a Itália acompanhar o dia a dia de um arquiteto não ficou surpreendido. "Não é o nosso core business", afirma com orgulho, referindo que os vídeos que faz sobre moda têm sido muito bem recebidos lá fora. O pedido deste cliente que trabalha com marcas italianas era simples: um filme sobre o trabalho que desenvolve como os que Pedro faz sobre roupa no site Por Vocação.Estes vídeos são a última inovação do portuense de 37 anos que começou por ser dono de uma pequena loja na Baixa do Porto. O mercado já não é o mesmo de há 15 anos e há muito mais para lá de Portugal.O jovem licenciado em Marketing tem hoje uma loja na Av. da Boavista, no Porto, um blogue e um website e faz muito mais do que vender peças de roupa para homem. Conta histórias em que a roupa é a personagem principal. "A formação em marketing deu-me uma visão diferente, poder ver as consequências de uma potencial crise e prever a mudança no consumo." Como explica, está a acontecer na moda o mesmo que aconteceu na música e na literatura: o mercado ajustou-se a players fortes, deixou os bons e varreu os outros. A ambição do português estar entre os melhores "porque só os melhores resistem". "Temos de competir com os nossos fornecedores. Quando uma peça vai para centenas de lojas, temos de fazer mais e de maneira diferente."Quando começou, com 23 anos, estava longe de imaginar a volta que daria. A loja online já tem dois anos, o blogue quase três e o marketing digital cerca de ano e meio. É o futuro. "Já não é uma loja, é uma revista", porque "uma loja que não consiga criar conteúdo não se aguenta no mercado de hoje". A Por Vocação vende quase exclusivamente para o mercado internacional: os EUA são o principal cliente, seguidos pelas principais capitais europeias. "O nosso caso é a prova de que é possível operar com base no Porto; não precisamos de estar em Londres para sermos competitivos." Pedro explica que a Internet "trouxe uma democracia que antes não existia", onde é possível crescer, como era com a loja de bairro. O website tem corrido tão bem que hoje não é Pedro que procura as marcas, mas o inverso. Querem ser mais do que roupa, querem ser histórias. Com o marketing digital lançado, o próximo passo é quase um capricho: dar visibilidade a marcas portuguesas. Com o futuro cada vez mais difícil de antecipar, "é preciso ter sempre um plano B". RetratoPedro decidiu pôr a sua loja online em 2010, um ano depois de o blogue se revelar um sucesso. O marketeer acredita que uma loja tem de criar conteúdos, dada a necessidade de identificação do consumidor com conteúdos que vão para lá da etiqueta, por isso fez da sua uma revista. Além de vender roupa, cria histórias em vídeo com as coleções. Os EUA já são o seu principal mercado.

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