"Estamos à beira de uma transformação tão grande como a primeira revolução industrial"

Sérgio Ferreira, <em>partner</em> da EY, abordou as tendências da tecnologia aplicada à banca e sublinhou as oportunidades trazidas pela IA.<br/>
Publicado a

Se a banca quer manter-se competitiva e colher os proveitos dos avanços tecnológicos, então tem de procurar inspiração em empresas como a Amazon, a Uber ou a Spotify, apontou Sérgio Ferreira. O partner da EY lembrou que estas três organizações têm em comum um modelo de negócio baseado em dados, constantemente recolhidos e sistematicamente analisados. "Também os bancos, tal como a Amazon, vivem de dados porque estão numa indústria regulada e desde cedo tiveram de aprender a sistematizar dados", reforçou.

Mas existem já casos de uso testados por bancos de outros mercados, como o JP Morgan, que criou uma plataforma alimentada com inteligência artificial (IA) para "fornecer risco como um serviço" a um conjunto de parceiros e clientes institucionais. Ou ainda o exemplo dado pelo DBS, líder no sudeste asiático e considerado o banco mais digital da região, que está "a antecipar o futuro" e a criar uma oferta feita à medida das novas gerações de consumidores - mais digitais, autónomos e flexíveis. "Têm de se transformar em organizações que aprendem com esta jornada. Isto vai acontecer nos próximos cinco a dez anos e esse é o grande desafio", avisa o especialista.

Mas quais são, afinal, os ingredientes para uma digitalização de sucesso? Sérgio Ferreira é claro a identificar elementos essenciais, desde logo, ter foco na jornada do cliente e apostar na personalização dessa experiência. Em simultâneo, há que investir na integração de serviços para a criação de um ecossistema que ultrapassa os limites da banca como mero fornecedor de serviços financeiros e privilegiar o estilo de vida. Coisas como "poder chamar um Uber" ou "pedir uma refeição" diretamente numa plataforma bancária pode ser, diz o consultor, transformador. Para isso, os bancos devem reforçar o investimento nas fintech para estarem sempre na crista da onda tecnológica e estabelecer parcerias que enriqueçam a experiência do utilizador.

"Podemos através da aplicação financeira não só pedir um crédito, mas também pedir comida. Temos de integrar outros serviços", assinala.
Tirar partido dos avanços tecnológicos exige, porém, uma forte aposta na recolha e sobretudo na análise permanente dos dados, que serão cada vez mais um elemento condutor de competitividade. E para isso será necessário ter "super-humanos", ou seja, colocar pessoas de carne e osso a trabalhar de forma fluida e colaborativa com máquinas.

"Será que vou ser substituído por máquinas?", perguntou Sérgio Ferreira perante uma plateia composta por profissionais da banca. A resposta, diz, é, em princípio, não. "Há muito poucos anos vieram os computadores para as organizações e não foram eles que substituíram os humanos. O que vimos foi humanos que aprenderam a usar esses computadores e substituíram aqueles que acharam que não precisavam de aprender", insiste. Capacitação é, assim, uma das palavras-chave que os banqueiros devem reter - sem quadros formados e preparados para lidar com as inovações tecnológicas, não é possível aproveitar o potencial total de ferramentas como a IA. F.A.F.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt