Este é o carro voador da Embraer

Conceito baseia-se nos requisitos divulgados hoje pela Uber para os seus futuros táxis aéreos
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A Embraer revelou hoje em Los Angeles o primeiro protótipo do seu carro voador, que está a ser concebido pela nova unidade de negócio EmbraerX. O modelo, apresentado pelo CEO Paulo César de Souza e Silva, foi desenhado com base nos requisitos lançados pela Uber para este futuro meio de transporte. A construtora aeronáutica é uma das primeiras parceiras Uber Elevate, a divisão da empresa de boleias que irá pôr táxis voadores nos ares em 2023, e está a trabalhar de perto com os norte-americanos para ser uma das fornecedoras destes veículos.

“Temos de olhar para o futuro e para o que virá a seguir na aviação”, afirmou o CEO durante o primeiro dia do evento Uber Elevate, em LA. As inovações dos próximos anos passarão pelos veículos autónomos, híbridos e elétricos, culminando nos “eVTOL” – Electric Vertical Takeoff and Landing. Este primeiro conceito da Embraer está desenhado para levar quatro passageiros e um piloto, mas a ideia é que venha a ser autónomo. Os aparelhos, que podem ser considerados um híbrido entre carro e helicóptero, levantam e pousam na vertical com recurso a energia elétrica e de forma silenciosa. O plano é que voem a baixa altitude e percorram pequenas distâncias dentro de cidades com grandes problemas de congestionamento nas estradas.

“Queremos estar neste novo negócio e por isso lançámos a EmbraerX no início de 2018”, explicou Paulo César. “Partilhamos esta visão com a Uber de que as pessoas em áreas de elevada densidade deverão poder passar mais tempo com a família ou a fazerem o que quiserem em vez de estarem no trânsito.” Em São Paulo, onde está a sede da empresa, o CEO disse demorar cerca de 2 horas do escritório até ao aeroporto. “É por isso que há uma enorme oportunidade e devemos olhar para isto.”

A Embraer tem duas fábricas em Évora, onde reforçou o investimento há dois anos e começou a exportar para os Estados Unidos, além do Brasil. No ano passado, estabeleceu uma unidade de pesquisa em Silicon Valley e tem também equipas em Boston e Flórida em conexão com a equipa de engenharia no Brasil. “Somos uma das empresas mais bem preparadas para o eVTOL”, garantiu o CEO da fabricante. “Sabemos como operar em ciclos muito elevados”, acrescentou, referindo que este é um conceito aliciante mas com grandes desafios. “É uma visão sobre o futuro. Estamos aqui para isso.”

O protótipo pensado pela empresa brasileira é apenas um de muitos que estão a ser concebidos por várias construtoras aeronáuticas. Neste momento, o ecossistema de parceiros da Uber Elevate ainda é pequeno; a gigante de São Francisco está a trabalhar com a ARL, ES Aero, M4 Aerospace Engineering e Launchpoint, Aurora Flight Sciences, Bell Helicopter, Pipistrel, Mooney e ChargePoint, além da Embraer. Tem ainda novas parcerias importantes, com a Karem Aircraft e a Molicel. No evento Elevate, a empresa apresentou os requisitos que as construtoras terão de cumprir para produzirem carros voadores (ou táxis aéreos como também lhe chama) que irão integrar a frota da UberAir a partir de 2023.

Pode parecer distante, mas é um calendário ambicioso. A intenção é ter protótipos funcionais em 2020 a fazerem testes de voo e lançar o serviço comercial três anos depois. Para discutir todos os desafios ligados a esta visão, a Uber reúne esta semana em Los Angeles – a cidade com pior tráfego do mundo – cerca de mil executivos da indústria aeronáutica, incluindo reguladores e NASA, na segunda edição do Uber Elevate.

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