Ela ajuda-o a organizar a sua vida. Aprende consigo. Os sites que gosta de ler, as aplicações que usa ao longo do dia, organiza-as no seu ecrã. Ajuda-o a navegar no mundo. Não sabe que monumento famoso é este para o qual está a olhar? Não precisa de puxar pela memória: aponta a câmara do seu Galaxy S8 e a Bixby não só o identifica como ainda lhe faz uma série de sugestões sobre locais onde comer nas redondezas. É a assistente inteligente que a Samsung tirou da cartola com o lançamento do novo smartphone da empresa sul-coreana. A grande aposta da marca depois do fiasco das baterias que explodiam do Galaxy Note 7 chega ao mercado europeu a 28 de abril.
Numa altura em que a Samsung parece estar a ser perseguida por uma onda de azar - das baterias que explodem, às máquinas de lavar, ao escândalo de corrupção que envolveu a cúpula da companhia na Coreia do Sul - não estará o sucesso do novo Galaxy S8 e S8+ demasiado dependente da Bixby? E se a assistente inteligente, ao contrário do que prometeu a marca no evento de lançamento em Londres, não antecipar o que quer?
“A Bixby é apenas uma parte do S8. O Galaxy S8 começa por ter um belo design e um ecrã completamente imersivo”, começa por dizer Jean Daniel Ayme, vice-presidente corporate da Samsung Europa, ao Dinheiro Vivo. O novo terminal tem aquilo que a marca chama “ecrã infinito”: ou seja, um ecrã de onde desaparecem as molduras metalizadas, estendendo a superfície dos dois modelos, com 5,8 e 6,2 polegadas. O botão de home desaparece e passa a estar embebido no ecrã.
Depois a marca adicionou “um mundo de capacidades, de funcionalidades que já temos” e levou-as “para um novo nível”. “Queremos ajudar os utilizadores a usar todas as capacidades, de forma a libertar o poder do telefone, e para simplificar isso desenvolvemos a Bixby”, justifica. “A Bixby é a evolução natural da nossa inovação, mas é apenas o início. Vai começar com o S8, mas vai continuar a evoluir, com mais línguas, mas também com mais parcerias para a câmara. Tudo para garantir que a interação com o seu telefone e do seu telefone com o ambiente é mais fácil. É só o começo.”
O próximo passo é conectar a Bixby com os objetos inteligentes lá em casa, sejam ou não Samsung. “Em determinada altura quando sair de casa dirá apenas ao seu telefone ‘estou a sair’ e ele sabe automaticamente que todas as luzes têm de ser apagadas, que a TV tem de ser desligada, que o aspirador começa a trabalhar. Essa é a visão por trás da Bixby. Não é um sonho. E virá mais cedo do que espera”, diz Jean Daniel Ayme.
A Bixby é também uma forma de responder à geração millennial (entre 15 e 35 anos) “que está a fazer o drive de toda esta tecnologia”, diz Nuno Parreira, diretor de telecomunicações e mobilidade da Samsung Portugal. “Não querem uma tecnologia complicada, mas uma fácil. E esta ‘assistente pessoal’, a Bixby, é o começo dessa era, facilitando tarefas que são rotineiras.” Usando voz, visão e texto.
Pré-vendas superam procura do S7
A Samsung não esconde que as expectativas da marca com os novos smartphone premium - à venda em Portugal por 819,90 euros e 919,90 euros - são altas. Num “ano desafiante para a Samsung”, o novo modelo representa “o início de uma nova forma de experimentar o mundo, onde as caixas não nos definem”, defendeu DJ Koh, presidente do negócio mobile da empresa sul-coreana. YH Eom, presidente da Samsung Europa, falou mesmo na “maior inovação no mercado de smartphones em muitos, muitos anos”. Ao ecrã infinito, a marca juntou uma maior capacidade da câmara frontal para melhorar as selfies (segundo a Samsung, tirar uma selfie é algo que fazemos em média 25 mil vezes ao longo da vida): tem 8 mega- píxeis e focagem automática inteligente. Já a câmara traseira tem 12 megapíxeis. Em três cores (preto, cinzento e prateado), é ainda resistente ao pó e à água (aguenta 30 minutos submerso, a 1,5 metros de profundidade) e tem um sistema de segurança biométrico (íris e reconhecimento facial).
E as baterias? “Levamos o teste das baterias a um novo standard, muito para além do que é feito pela indústria. Temos algo que é muito seguro. Implementamos em todos os aparelhos, não foi apenas o S8 a beneficiar com estes ensinamentos”, garante Jean Daniel Ayme.
Meras horas depois do lançamento, as pré-vendas do modelo já estavam a superar a procura do S7, adiantou Nuno Parreira, sem revelar números. Produto que a Samsung acredita que vai ajudar a marca a crescer a sua quota de mercado no segmento premium [telemóveis a partir de 600 euros], neste momento, na ordem dos 35%. “Sentimos que o mercado está a crescer e podemos ter um target maior do que o atual. O nosso objetivo é chegar perto dos 50%.”