European Innovation Academy: Mais de 600 estudantes competem na U.Porto para criar startups do futuro

Só dez projetos poderão sair vencedores do programa que dá três semanas - começou esta segunda-feira, 17 de julho, e termina a 4 de agosto - para formar um negócio de sucesso. 140 estudantes estão na EIA com bolsas Santander.
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Já segue a pleno vapor, com cinco dias decorridos, a 6.ª edição da European Innovation Academy (EIA) realizada em Portugal, segunda consecutiva na Universidade do Porto. Aquele cujos organizadores dizem ser "o maior programa de empreendedorismo tecnológico e digital do mundo, na área da Educação", bateu este ano todos os recordes de participação com 600 estudantes - 140 dos quais portugueses com bolsas Santander Universidades - das mais diversas nacionalidades, de 50 instituições de Ensino Superior.

Mergulhados num ambiente de trabalho internacional, estas centenas de jovens, organizados em equipas, têm até ao dia 4 de agosto - são três semanas no total, uma das quais já passou - para pegar numa ideia inovadora e seguirem todo o processo de criação até lançarem as suas startups, através de um programa intensivo e acelerado de inovação, com a orientação de mentores, académicos e oradores de diversas nacionalidades. No final, só alguns poderão sair vencedores, sobretudo se seguirem o mote da EIA e o desafio lançado pela sua presidente: "Inovemos, de modo a provocar impacto!"

"Mal posso esperar para ver as coisas fantásticas que vamos conseguir alcançar juntos nas próximas semanas!" Foi com estas palavras que Gerda Nooormägi, presidente da EIA, deu as boas-vindas aos cerca de 700 participantes, entre estudantes, mentores, parceiros, etc., que na noite do último domingo se reuniram no Palácio da Bolsa, no Porto, para oficialmente inaugurarem mais uma edição da European Innovation Academy em Portugal.

Durante a cerimónia, que como referiu a responsável da EIA, serviu sobretudo para quebrar o gelo e estabelecer redes de contactos, estiveram também presentes representantes dos parceiros do evento: da Câmara Municipal do Porto, do Santander Universidades, Beta-i, Galp, OSCE, além da coanfitriã, U.Porto.

No seu breve discurso, o reitor António de Sousa Pereira, depois de louvar os muitos atrativos da cidade anfitriã, frisou que os participantes, na Universidade do Porto, iriam encontrar "uma instituição que, apesar de ter as suas origens no século XVIII, é atualmente uma das mais inovadoras e empreendedoras universidades da Europa: com 14 faculdades, uma business school, 48 centros de investigação e uma incubadora de negócios, que já apoiou a criação de mais de 700 startups; a Universidade do Porto é também a maior produtora de ciência em Portugal, responsável por mais 25% dos artigos científicos do país", afirmou.

E foi precisamente à procura dessas ideias impactantes que, logo na manhã seguinte, Dia 1 da EIA 2023, o Dinheiro Vivo foi em busca de alguns estudantes. Encontrou, por exemplo, João Gegaloto, de 24 anos, licenciado em Biotecnologia no Instituto Politécnico de Setúbal, prestes a terminar o mestrado em Engenharia Química, que juntamente com o seu colega João Almeida, da mesma escola e curso, tiveram uma ideia tão apelativa, mas tão complexa, que atraiu de imediato muitos colegas para a sua equipa, que logo depois desistiam pela dificuldade do projeto.

"Basicamente a nossa ideia assenta em reutilizar resíduos industriais para produção de um combustível sintético", explicou. Desta forma, o jovem químico não apenas descarbonizaria a indústria transformadora, como também iria oferecer "uma nova tecnologia de combustível para ser usado a nível mundial".

João Gegaloto conta que, de início, pensaram usar resíduos da indústria do biodiesel, mas... "Começámos a ver que o grande resíduo que anda por aí, que não está a ser bem aproveitado, é o plástico". Agora, querem reaproveitar o plástico que fica por reciclar - que, afirma, ainda é uma percentagem elevada - para produzir combustível.

Prometedora também parece ser a ideia que João Castelo, de 18 anos, e Rafael Alves, ambos estudantes do 1.º ano de Física Aplicada no ISEL, em Lisboa, trouxeram para a EIA 2023, e que a sua equipa adotou. Embora não tenha querido revelar já tudo sobre a sua ideia de negócio, João Castelo referiu que está "virada para a produção de energia de uma forma sustentável".

Com um pouco de investigação não foi difícil descobrir que o seu projeto se chama Solar Paint, e, como o próprio avançou, a restante equipa é composta por um engenheiro químico de Angola, uma marketeer do Texas, e um profissional especializado em microchips, da Índia - que até já tem uma empresa -, pelo que, de facto, este projeto promete.

Maria João Silva, aluna do 2.º ano de Gestão da Nova SBE, em Lisboa, sentiu-se atraída pela ideia de Emin Lujinovic e uniu-se à sua equipa. O objetivo, segundo contou, é "criar uma plataforma e, no futuro, uma aplicação que permita a pessoas que gostem de viajar, especialmente para países fora da União Europeia, ficarem a par das leis, formas de pagamento e todos os dados relevantes acerca do país para o qual vão. É uma aplicação destinada também a influencers, bloggers, jornalistas, etc. com o seu trabalho." Facilitar a vida a estes profissionais é o seu objetivo e o Dinheiro Vivo nada tem a obstar.

"No Santander Universidades, somos mais do que universidades, nós queremos tocar todos os indivíduos numa tarefa de lifelong learning, porque achamos que temos de fazer upskill das nossas aptidões", disse Inês Gouveia, diretora do Santander Universidades, parceiro da European Innovation Academy em Portugal desde o primeiro momento.

"Reinventar é uma atitude empreendedora e com estes seis anos de parceria, nós já vimos isso acontecer nos mais jovens e temos de replicar isto na nossa atitude dentro do banco, fora do banco e no nosso impacto na sociedade", afirmou a responsável, acrescentando ser "importantíssimo" para o Santander Universidades "acompanhar este movimento [da EIA], fomentá-lo e fazer crescer esta atitude empreendedora em Portugal e na Europa".

Para a responsável "o Santander Universidades tem de estar próximo do que está a acontecer", uma necessidade que justifica esta associação à EIA. "Se nós estivermos sozinhos, nós não sabemos o que move a economia, o que move a sociedade e estarmos nesta parceria com a European Innovation Academy permite-nos estar próximo da juventude, das pessoas que estão aí, neste momento, nas universidades que pensam no futuro e, para nós, é importantíssimo acompanhar este movimento e fomentá-lo e fazer crescer esta atitude empreendedora em Portugal e na Europa."

Algo que, de facto, parece ter vindo a acontecer desde que a EIA iniciou a sua atividade formadora - ou seria talvez mais adequado dizer formatadora - em Portugal, há 6 anos.

Joana Resende, vice-reitora para Inovação da U.Porto e presidente da UPTec, o parque tecnológico desta universidade, disse ao DV que, desde que a EIA veio para Portugal e os seus estudantes nela participam, tem tido um efeito transformador no seu (deles) raciocínio, porque saem com "uma mentalidade diferente e muito orientada para a resolução de problemas". "Não vemos a EIA como uma ideia de fábrica de startups. Não é esse o nosso objetivo com esta academia, é sobretudo o desenvolvimento do empreendedorismo enquanto competência", que lhes vai servir noutras áreas, sublinhou.

"Porque os estudantes que venham a criar startups bem-sucedidas, seja no imediato, seja daqui a alguns anos, vão ter nesta experiência a possibilidade de ter uma mente orientada para a resolução de problemas, de análise crítica, de trabalhar em equipa e uma rede de conhecimentos pessoais que se tornam um ativo que dificilmente conseguem encontrar noutro lugar.
E, portanto, a Universidade do Porto desde que a European Innovation Academy veio para Portugal, e ainda mais agora que se realiza na Cidade do Porto, vê este projeto com enorme carinho e com potencial impacto enorme, muito para além da criação de startups", acrescentou Joana Resende.

Também Gerda Noormägi, presidente da European Innovation Academy, garante que o impacto da EIA em Portugal foi enorme. "Quando a European Innovation Academy primeiro veio para Portugal os tempos eram difíceis para os jovens licenciados, como aliás muitas vezes continuam a ser no que respeita a encontrarem emprego. Hoje os jovens portugueses pensam de forma diferente. Pensam: 'De que modo é que eu posso criar uma oportunidade para mim próprio'", explicou a responsável.

"Para nós, uma das nossas principais metas, ao longo deste programa, é dar aos estudantes uma mudança de mentalidade, porque as aptidões podem aprender-se, conhecimento e teoria, tudo isso se pode aprender, mas é muitas vezes a mentalidade que limita a capacidade de uma pessoa para fazer algo", afirmou Gerda Noormägi.

A CEO disse que nos seus planos futuros para Portugal está " descobrir formas de fazer perdurar o espírito EIA e ter outros eventos entre aqueles dois maiores que ocorrem no verão, de forma a manter o mindset e as ideias centradas em como é que todos podemos inovar no nosso dia a dia". Como isso será alcançado? Com "eventos mais pequenos, reunindo pessoas de startups, alumni da EIA e nutrindo a comunidade EIA", informou.

No Dia 1 da EIA, passou também pela Faculdade Economia do Porto, onde toda a ação está em curso, o vice-presidente para a Inovação e Empreendedorismo da Câmara Municipal do Porto, parceira na organização da iniciativa. O DV quis saber, sendo esta já a 2.ª edição da Academia na Invicta, que impactos estava a ter na cidade e na edilidade.

Filipe Araújo sublinhou que este é "um evento que tem vindo a crescer" e acrescentou: "Neste segundo ano, estamos muito contentes com a maior participação que ainda temos de estudantes de todo o mundo - temos mais de 50 nacionalidades aqui, de universidades de topo mundial, que têm oportunidade não só de perceber o ecossistema de inovação que a cidade tem - e uma cidade de experimentação -, de perceber também aquilo que é a nossa Academia, nomeadamente a Universidade do Porto e a pujança que tem."

Para o autarca, este reconhecimento "é muito importante, porque muitos deles vêm depois, mais tarde, a escolher, por exemplo, frequentar a Universidade do Porto ou trabalhar na cidade e, portanto, é uma enorme oportunidade para a cidade conviver com este talento, vindo de todo mundo, numa lógica de hoje, de as cidades cada vez mais procurarem crescer em termos de inovação e naquilo que é a sua postura para o mundo."

O vice-presidente da CM do Porto admitiu que não tem dados concretos que lhe permitam afirmar quantos, de facto, regressam ou se fixam na cidade, mas é aquilo que é "veiculado em conversas".

Também acerca do retorno económico que a cidade do Porto terá tido com as centenas de pessoas que durante três semanas tiveram de pernoitar e consumir ao longo da edição passada da EIA, Filipe Araújo escusou-se a avançar números - se porque não quis divulgá-los, se porque as contas ainda não terão sido feitas, o DV não percebeu. Preferiu antes sublinhar que "o maior retorno é a cidade posicionar-se enquanto uma cidade de inovação e de empreendedorismo também - isso é muito importante".

A European Innovation Academy fixou a si própria a meta de conferir competências digitais a um milhão de jovens até 2030. Para alcançar tal desígnio, conta com planos de expansão da sua rede de academias que a sua CEO - cujo primeiro ano à frente dos destinos da EIA é completado agora, depois de ter tomado a liderança das mãos da sua antecessora Anni Sinijärv - revelou esta segunda-feira na U.Porto.

"Este ano estamos também a celebrar uma década de EIA: 10 anos a formatar ideias, 10 anos de inovação de primeira categoria e 10 anos a cultivar os líderes de amanhã", anunciou Gerda Noormägi, depois de ter sido mencionado o seu primeiro aniversário como CEO.

"Para assinalar este ano excecional temos alguns planos especiais que vou partilhar convosco em primeira mão. Vamos expandir o espírito da inovação para além das fronteiras europeias: vamos tornar a EIA global e não apenas migrando para a bela Itália... Mas porquê ficar por aqui, pela EIA hispânica? Vamos para Marrocos, para uma African Innovation Academy; para Singapura, para uma Asian Innovation Academy; e Abu Dhabi, para uma Arab Innovation Academy", revelou.

"Vamos transcender fronteiras para provocar um impacto global!", concluiu.

Mais tarde, Gerda Noormägi referiu ao Dinheiro Vivo que, em termos globais, já há "cerca de 100 startups em funcionamento, lançadas a partir de programas EIA".

A European Innovation Academy é uma instituição educativa sem fins lucrativos, fundada na Estónia, reconhecida pela excelência na Educação em empreendedorismo tecnológico. A abordagem única, baseada no método de aprendizagem experiencial, é inspirada por universidades de renome mundial, como Stanford, UC Berkeley - e também pela Google.

As suas academias de verão são eventos internacionais de referência que já foram reconhecidos pela excelência em
Educação na área do empreendedorismo tecnológico pelo Financial Times.

A Portugal chegou em 2017 e só interrompeu um ano, devido à pandemia. Contou sempre com o apoio da Beta-i, de quem partiu a iniciativa de trazer a EIA até cá, e do Santander Universidades, que foi sempre aumentando a oferta de bolsas a estudantes. Neste momento são já 140 os universitários de todo o país que podem frequentar a European Innovation Academy sem terem de suportar a dispendiosa inscrição.

Originalmente publicado no dia 22/07

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