Na Premier League há um "top six", composto por Manchester United, Manchester City, Liverpool, Chelsea, Arsenal e Tottenham, a que o Everton, o clube inglês com mais participações na primeira divisão ao longo dos séculos, não consegue aceder, a não ser que invista os milhões e milhões que não tem por não ter sido comprado por nenhum mecenas árabe.
Na Europa, há um "top five" de ligas, composto por Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França, em que o campeonato ucraniano, recentemente dominado pelo Shakhtar Donetsk, por mais que se esforce não consegue entrar.
No entanto, Everton e Shakhtar querem mais. Qual a solução? Partir em busca do enorme mercado do Novo Mundo.
O clube inglês, embora não possa competir com os mediáticos rivais, considera-se o mais americano de todos os clubes - fez uma digressão famosa, em 1956, aos EUA e contou nas suas fileiras com Tim Howard, lendário guarda-redes americano, entre outros yankees. A estratégia do clube, segundo o médico David France, o seu mais famoso torcedor na América, ao ponto de ser conhecido por Doctor Everton, é "investir na base". Como? "Estando presente, interagindo, criando laços não apenas comerciais mas sobretudo afetivos, não é montar um escritório na Park Avenue mas ir à base", acrescenta à Forbes o consultor do clube, Jurgen Mainka.
O clube ucraniano, por sua vez, quer ser "o segundo ou terceiro clube no coração de cada brasileiro". Com 10 a 12 jogadores do país sul-americano no plantel desde há mais de 10 anos, já contratou jornalistas e comentadores portugueses para cobrir os seus jogos e chegar, pela língua, ao Brasil. "Um país que está no nosso DNA desportivo", disse ao Globoesporte Alexander Mamalyha, diretor de marketing do Shakhtar. Não será fácil competir com Real Madrid, Barcelona ou, agora, o PSG, de Neymar, "mas a ideia é começar a conversar com os brasileiros".
Eis caminhos que podem ser desbravados por clubes de um país, Portugal, por tradição mais fascinado do que qualquer outro pelos novos mundos.