A emergência da inteligência artificial (IA) generativa tem vindo a ser discutida faz já alguns anos a esta parte, porém tem vindo a escalar em termos de visibilidade mediática nos últimos trimestres, e deixou de ser uma temática restrita a nichos de especialistas do setor, para ganhar contornos muito reais e imediatos, sobretudo depois da mediatização do ChatGPT, que demonstrou que a criatividade não é apenas uma característica humana, e que a inteligência artificial generativa, usando mecanismos de aprendizagem tecnológica avançada digital (ex: machine learning, deep learning) - pode criar, aprender, reaprender e até imaginar novos conteúdos a partir de dados disponíveis.
As evidências começam a ser incontornáveis. Durante as apresentações de resultados das empresas tecnológicas, a empresa NVidia, que é hoje uma das maiores empresas cotadas em bolsa do mundo e sobretudo um dos principais fabricantes de componentes eletrónicos para aplicações de Inteligência Artificial a nível global registou uma subida em 2,6 vezes das receitas obtidas face ao 1º trimestre de 2023, ao mesmo tempo que titãs do setor, como a Microsoft, Alphabet, Meta ou Amazon anunciaram aumentos significativos do investimento das suas infraestruturas de inteligência artificial, que deverão crescer 40% este ano face a 2023. A rápida aceleração na automatização de tarefas pode gerar poupanças nos custos laborais, e consequentemente aumentar a produtividade das empresas que procuram sempre novas formas de aumentar os resultados, e alimentar a ambição dos investidores e dos mercados financeiros.
As perspetivas prometem uma disruptiva inovação que pode criar uma nova era na indústria. A capacidade da tecnologia de gerar conteúdos que serão progressivamente indistinguíveis dos resultados criados pelo homem, e de quebrar barreiras de comunicação entre humanos e máquinas reflete um grande avanço com efeitos macroeconómicos potencialmente grandes.
Um relatório produzido pela consultora PwC, Sizing the prize, aponta que esta nova era pode representar um contributo de 15 biliões de dólares até 2030 para a economia mundial, sendo que destes 6,6 biliões de dólares (44% do total) serão via aumento dos ganhos de produtividade. A China e os Estados Unidos serão as regiões onde mais se vai fazer sentir o impacto económico da tecnologia, com quase 70% do impacto económico conjunto (10,7 mil milhões de dólares), enquanto na Europa terá um impacto de 2,5 biliões de dólares, correspondentes a cerca de 17% do total global.
E Portugal? O nosso país não deverá ser imune à vaga de inovação, e de acordo com as previsões do International Data Corporation (IDC), o investimento em inteligência artificial deverá ultrapassar os 100 milhões de euros em 2024 em Portugal, sendo que esta tecnologia deve registar um crescimento anual de 25%, entre 2023 e 2027. Parece estar por isso em curso uma nova evolução, ou revolução digital. E sem dúvida que deverá alterar a forma como interagimos em sociedade.
Economista, Presidente do Internacional Affairs Network