Exportações de vinho a caminho de novo ano recorde

As vendas ao exterior estão a crescer 1%, para 677,3 milhões de euros. Retirado o efeito vinho do Porto, que está a cair 4% em relação ao período homólogo, o acréscimo é de 3,5%
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Portugal está a caminho de um novo ano recorde nas vendas de vinho ao exterior. Em setembro, as exportações de vinho cresceram 3,7% para 92,2 milhões de euros. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o valor total ascendeu a 677,3 milhões de euros, mais 1% do que no período homólogo. Recorde-se que, o ano passado, o setor exportou 927,4 milhões de euros e que a meta definida pela ViniPortugal é que a barreira dos mil milhões de euros seja atingida em 2023.

"Esperamos um novo ano com recorde de exportações. Os dados mostram que estamos a recuperar das quebras do primeiro semestre e o crescimento sem vinho do Porto é relevante", refere, em declarações do Dinheiro Vivo, o presidente da ViniPortugal. Frederico Falcão refere-se aos dados das exportações retirado o vinho do Porto, e que mostram um aumento de 3,5% para 460,6 milhões de euros.

O vinho do Porto é responsável por quase um terço do valor gerado pelos vinhos portugueses nos mercados externos, mas está este ano a cair 4% para 216,8 milhões. Uma quebra que tem efeitos sobre os valores totais, já que Portugal exportou 242,1 milhões de litros ao exterior, menos 0,6% do que no período homólogo. Retirado o contributo do vinho do Porto, as vendas em volume cresceram 1,1% para 201,6 milhões de litros.

Também o preço médio está a crescer, com um aumento de 1,6% para 2,80 euros no total das exportações de vinho e um acréscimo de 2,4%, sem vinho do Porto, para 2,28 euros o litro.

Em termos de mercados, os Estados Unidos são o principal destino dos vinhos portugueses. Com 82,9 milhões de euros comprados estão em linha com o período homólogo, mas o preço médio de exportação para os EUA está a crescer 13,72% para 4,24 euros. Sem vinho do Porto, o mercado americano cresce 2,53% em valor e 16,14% em preço médio.

Aliás, no top 5 dos principais mercados dos vinhos portugueses só o Canadá está a crescer: são 43,2 milhões de euros, mais 7,58%. França, Reino Unido e Brasil estão a cair - no caso do Reino Unido é uma quebra a dois dígitos - embora o preço médio esteja a valorizar em todos estes países.

Já os dados sem vinho do Porto atiram a França para a sexta posição, com Angola, que já chegou a ser o maior destino das exportações de vinhos tranquilos, a recuperar terreno e a subir ao top5. Brasil e Reino Unido estão a cair 7,23% e 0,73% respetivamente, mas Angola cresce 86,7% (30,5 milhões de euros) e França 0,7% (29,4 milhões).

Destaque, ainda, para a performance do México, cujas compras de vinho português mais do que duplicaram (+114,18%) para 2,1 milhões de euros.

Apesar desta evolução, a ViniPortugal mostra-se cautelosa. "Tememos que os efeitos da inflação, sobretudo nos países europeus, possa arrefecer este crescimento que temos até setembro", refere Frederico Falcão que, no entanto, se mantém convicto que as vendas totais do ano passado serão ultrapassadas, dando novo valor histórico de exportações aos vinhos portugueses. "Mantenho a previsão de crescimento de 1 a 1,5%, suportado pelos Estados Unidos, Canadá e Angola, mas também pelo contributo de outros mercados, como o México, a Coreia e a Polónia", frisa.

Na análise por regiões vitivinícolas, o Dão registou o maior crescimento percentual face ao período homólogo, com 22,5% mais num total de 16,1 milhões de euros. O Vinho Verde cresce 3,8% para 65,6 milhões e o Alentejo ultrapassa já os 57,2 milhões de euros, um acréscimo de 13,3%.

O Douro está a cair 3%, tal como as vinhos da Península de Setúbal (- 5,1%), do Tejo (- 5,3%), da Beira Interior (-15,7%) e das Beiras (-5,2%). Em sentido contrário, as exportações de vinhos da região de Lisboa crescem 4,4%, o moscatel da Madeira vendeu mais 9% ao exterior e a Bairrada tem um acréscimo de 12,8%.

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