As exportações de vinhos portugueses para a Rússia e a Ucrânia quase duplicaram no primeiro semestre do ano, com crescimentos homólogos de 84,6% e 73%, respetivamente. No caso da Ucrânia, nunca Portugal vendeu tanto vinho para este mercado como no arranque de 2023. "Acho um ótimo sinal, o vinho não tem que entrar em conflitos nem tem que tomar posições políticas", diz o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão. Os produtos alimentares não são abrangidos pelas sanções, excetuando os vinhos de luxo.
Refira-se que, após a suspensão total das exportações para a Rússia no final de fevereiro de 2022, em reação à invasão da Ucrânia, as vendas de vinho para este mercado começaram a retomar, lentamente, a partir de abril e, a partir de julho, estiveram sempre acima já do ano anterior. O pico foi atingido em novembro, com as exportações de vinhos portugueses no valor de 2,9 milhões de euros, quase o triplo do verificado em igual mês de 2021. No total do ano, Portugal exportou vinhos no valor de 10,7 milhões, em 2022, apenas 255 mil euros abaixo do ano anterior.
Agora, entre janeiro e março de 2023, Portugal vendeu quase 1 milhão de litros de vinho para a Rússia no valor de 2,190 milhões de euros, o que representa um crescimento de 105% em volume e de 84,6% em valor. O preço médio foi inferior em 10%, caindo para 2,23 euros por litro. No primeiro trimestre de 2021, as exportações haviam sido muito semelhantes, no valor de 2,206 milhões.
Já as vendas para a Ucrânia cresceram, no primeiro trimestre, 65% em volume e 73% em valor: foram 309 mil litros no valor de 835,6 mil euros. O preço médio foi de 2,7 euros o litro, um aumento homólogo de 4,6%. Recorde-se que este é um mercado de aposta recente para os vinhos nacionais, mas, no qual, a ViniPortugal fez uma prova em junho de 2021, com grande sucesso. Todas as ações de promoção no mercado foram suspensas, com a guerra, excluindo as iniciativas nas redes sociais.
Para Frederico Falcão, estes dados são boas notícias, independentemente da "guerra e da instabilidade terrível" que afeta os dois países. "O vinho faz parte da alimentação, ficamos contentes que as pessoas continuem a comprar vinho português e que os produtores portugueses não tenham feito um boicote às populações dos dois países", diz. O responsável admite que houve empresas cortaram totalmente com as exportações para a Rússia, mas que esse espaço foi ocupado por outras, que até estão a crescer. "Não vejo nada de negativo nisso, acho até um ótimo sinal", sustenta.
Portugal exportou, no primeiro trimestre, 73,6 milhões de litros de vinho no valor de 210,1 milhões de euros, o que representa uma quebra de 3,28% e de 0,95%, respetivamente. Já o preço médio cresceu 2,41% para 2,85 euros por litro.
Em termos de denominações de origem, o mais exportado dos vinhos nacionais, o vinho do Porto, está a cair 8,1% neste arranque de ano, para 62,3 milhões de euros, menos 5,5 milhões do que no período homólogo. O que significa que, retirado o efeito vinho do Porto nos dados totais, as exportações cresceram 2,4% para 147,9 milhões de euros.