Portugal deve aumentar em 700% o número de tomadas para carros elétricos até ao final de 2024. A proposta consta de uma carta conjunta divulgada esta quinta-feira pela associação europeia de fabricantes de automóveis (ACEA), a associação europeia de consumidores (BEUC) e a associação ambientalista Transport & Environment (T&E).
Os principais destinatários desta missiva são o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Frans Timmermans; a comissária dos Transportes, Adina Valean; o comissário para o Mercado Interno, Thierry Breton; e a comissária da Energia, Kadri Simson.
As três associações defendem uma revisão da diretiva de infraestruturas para combustíveis alternativos. A principal proposta passa pela instalação de um total de um milhão de pontos de carregamento nos 27 países da União Europeia nos próximos quatro anos.
No caso de Portugal, isso implica uma subida de mais de 700% nas tomadas de acesso público: no final de 2020, existiam mais de 3000 pontos de carga na rede de acesso público (Mobi.E); no final de 2024, Portugal deve ter um total de 22 762 tomadas, defendem as três associações.
Esta estimativa é feita com base nos postos de carregamento de acesso privado por país, assim como as vendas de elétricos por cada estado-membro.
Portugal, com base nesta proposta, seria o 10.º país da UE com mais pontos de carregamento no final de 2024. Alemanha e França seriam os dois países com a maior infraestrutura.
A carta também propõe que a UE tenha um total de 3 milhões de pontos de carregamento para carros elétricos e mil estações de hidrogénio até ao final de 2029. Esta meta, no entanto, deve ser revista no final de 2025. Portugal, com base nas estimativas, deveria ter 53 695 tomadas para carregar automóveis elétricos e híbridos plug-in até ao final desta década.
Propõe-se ainda que exista pelo menos um carregador ultra-rápido (acima dos 150 kW de potência) em cada 50 quilómetros na rede rodoviária transeuropeia. No caso de Portugal, essa rede inclui as ligações Lisboa-Madrid, Porto-Vigo e Guarda-Vilar Formoso.
A multiplicação da rede de carregadores poderá criar um milhão de novos postos de trabalho na União Europeia até ao final desta década e ajudar o continente a cumprir as metas do pacto Green New Deal.