O presente é bom, o futuro próximo é incerto para os lados de Menlo Park, onde está sediado o Facebook. A gigante das redes sociais apresentou esta quarta-feira os seus resultados do segundo trimestre e bateu as expectativas do mercado, com um volume robusto de receitas e lucros por ação acima do previsto. No entanto, a empresa liderada por Mark Zuckerberg avisou para ventos contrários na segunda metade do ano, o que levou as ações a derraparem mais de 5% nas trocas fora de horas.
"No terceiro e quarto trimestres de 2021, esperamos que as taxas de crescimento das receitas desacelerem significativamente numa base sequencial, à medida que percorremos períodos de crescimento cada vez mais fortes", comentou a empresa.
Este outlook contrasta com os bons indicadores a quase todos os níveis registados na primeira metade do ano. No segundo trimestre fiscal, o Facebook gerou 29 mil milhões de dólares, um crescimento de 56%, e duplicou os lucros para 10,4 mil milhões de dólares. Os lucros por ação foram de 3,61 dólares, acima dos 2,99 que os analistas previam.
Também em termos de utilizadores diários e mensais as notícias foram positivas: 1,91 mil milhões de utilizadores diários, mais 7% que no homólogo, e 2,90 mil milhões de utilizadores mensais, igualmente mais 7%.
Como é habitual nas conferências com analistas que se seguem à apresentação de resultados, o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, traçou caminhos mais a longo prazo, dizendo apenas que "este foi um bom trimestre" para os produtos e serviços da companhia.
O CEO reservou mais tempo a falar da sua visão para o futuro e as avenidas de negócio que permitirão à empresa continuar a crescer. Zuckerberg falou de três áreas: os esforços para incrementar a monetização dos conteúdos dos criadores, com foco no vídeo; as iniciativas para aumentar o peso do comércio social; e o lançamento dos primeiros óculos inteligentes, em parceria com a Ray-Ban e Luxoticca.
"Juntos, estes esforços fazem parte de um objetivo mais amplo de construir o metaverso", declarou Zuckerberg. O CEO descreveu o conceito como uma plataforma para "estar presente com outras pessoas em locais digitais", turvando os limites do físico e do digital.
"Creio que será o sucessor da internet móvel", indicou, descrevendo-o como uma espécie de internet corporizada.
"É este sentimento que estar mesmo lá", continuou, dizendo que avatares e objetos digitais serão fundamentais para criar esta sensação e abrir "experiências e oportunidades económicas inteiramente novas."
O objetivo último de Zuckerberg é transformar o Facebook - que detém também o Instagram e o WhatsApp - numa das principais plataformas do metaverso.
Haverá, no seu entender, uma transição na forma como as pessoas olham para a companhia: de rede social para empresa do metaverso.
O enorme poder que as propriedades da gigante de Menlo Park exercem será importante nessa transição. De acordo com Zuckerberg, há neste momento 3,5 mil milhões de pessoas a usarem as várias propriedades detidas pelo Facebook.