O quarto trimestre foi o pior de todos, como a empresa tinha avisado, mas mesmo assim melhor que o esperado. A explicação é esta: o Facebook tornou-se uma máquina de fazer dinheiro em publicidade. Só no quarto trimestre, a publicidade em dispositivos móveis cresceu 53% e já representa 69% do total de receitas publicitárias, alcançando 3,59 mil milhões de dólares.
"Estamos muito satisfeitos com o crescimento do nosso negócio", disse o CEO na conferência telefónica com analistas que se seguiu à apresentação dos resultados. O bom desempenho também reflete o aumento do número de pessoas que usam a rede social no telemóvel e tablet. Vejamos: 745 milhões de utilizadores entraram diariamente na rede social num aparelho móvel em dezembro, um crescimento de 34% em relação ao ano anterior. Por mês, foram 1,19 mil milhões, alta de 26%. E mais importante ainda, 526 milhões de pessoas já só usaram dispositivos móveis para consultar a rede social, uma subida de 15,3%.
É verdade que o ritmo de crescimento de utilizadores está a abrandar, rondando os 3% por trimestre, mas os vaticínios de que o Facebook se iria tornar numa rede fantasma foram claramente exagerados. Em 2014, todos os indicadores de utilização subiram e a rede tem agora mais utilizadores que nunca: são 1,393 mil milhões de pessoas a usar Facebook todos os meses; 890 milhões entram no seu perfil diariamente.
Mas os ganhos teriam sido mais expressivos se Zuckerberg não tivesse aumentado tanto as despesas, que dispararam 87% para 2,72 mil milhões de dólares. Motivo: o investimento em negócios que ainda não dão dinheiro. "Este ano, fizemos grandes apostas na nova geração de plataformas de computação e comunicação, ao comprar a Whatsapp e a Oculus", referiu o CEO na conferência com analistas.
"É muito importante que acertemos nisto e não apressemos as coisas", afirmou o CEO. É um aviso para os investidores descontentes, que após a apresentação de resultados levaram as ações a desvalorizar 1,82%. No fecho de quarta-feira, os títulos do Facebook valiam 76,24 dólares.
A número dois da rede social, Sheryl Sandberg, também esteve na conferência com analistas e sublinhou a importância dos vídeos publicados diretamente na rede social (e não com links para o YouTube ou Vimeo). Disse que houve um "crescimento dramático" nestes vídeos e que a funcionalidade de play automático ajudou a esta subida, o que por sua vez irá permitir transformar o segmento em dinheiro.
O mesmo foi discutido sobre o Instagram. "Embora ainda seja cedo e estarmos a ser cautelosos na implementação, acreditamos que o Instagram se vai tornar central para os esforços de construção de marca dos nossos anunciantes no móvel."