Mark Zuckerberg é um tipo inteligente. Mas isto de ser um dos CEO mais poderosos e ricos antes dos 28 anos às vezes sobe à cabeça. Ele pensou realmente que a era da privacidade tinha acabado. Que o crescimento galáctico do Facebook e a decadência patética do MySpace significava uma vontade louca das pessoas de serem sociais online.
E sim, as pessoas querem isso. Querem ser estrelas entre os amigos facebookers, querem mandar recados, enfiar carapuças, espreitar a vida da paixão secreta, desfilar as noitadas em álbuns intermináveis. Até ao dia em que dá para o torto e se lixam, na vida real, por causa de coisas que publicaram num momento menos reflectido.
É assim que se justifica que tanta gente tenha dado o passo atrás, dizendo com orgulho e dedo espetado que apagaram a conta do Facebook. Era só stress, era só ciúme, e para piorar a rede muda constantemente de regras de privacidade. Saudades do Messenger e do Hi5, ouvi algumas vezes dizer.
Bem, o Facebook já atingiu os 800 milhões de utilizadores e não vai poder continuar a fazer o que bem entende. Mesmo com a simplificação operada nos últimos meses, muito por causa do sucesso do Google +, Zuckerberg não se safa desta. A rede vai ser auditada durante os próximos vinte anos e não poderá fazer modificações às regras de privacidade sem antes perguntar aos utilizadores.
Ou seja: o Facebook vai poder mudar as vezes que quiser - sendo que a maioria das alterações é feita para dar mais visibilidade aos dados relevantes para o negócio, que é como quem diz anunciantes. Ninguém quer saber o que Josefina da Silva faz Sábado à noite, mas se ela publica uma actualização a dizer que adora batatas fritas, isto é capaz de interessar à Matutano.
O que não pode fazer é aplicar essas mudanças a todo o historial do utilizador. Se publiquei uma foto a pensar que só um grupo a veria, ela não pode ficar acessível quando no futuro o Facebook alterar a maneira como divide grupos.
Zuckerberg resolve assim uma queixa que remonta a 2009, mas se não toma cuidado habilita-se a ver a rede inverter a curva e começar a cair. O Facebook é daquelas coisas sem as quais pensamos que não vivemos até ao momento em que não vivemos por causa dela. Jornalista
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