A falta de matéria-prima com origem nas florestas portuguesas é uma das principais preocupações da indústria do mobiliário e de toda a fileira da madeira. O pinheiro-bravo, a principal espécie usada no fabrico de mobiliário, está a desaparecer, destruído pelos incêndios e pelo nemátodo (verme) do pinheiro, que desde 1999 se está a propagar em Portugal. Este verme microscópico mata as árvores afectadas e só é eliminado com o abate e queima das árvores.Este problema está a tornar as empresas menos competitivas, na visão do presidente da associação do sector, AIMMP. "A indústria do mobiliário tem ajustado a sua produção com madeiras alternativas, substituindo as madeiras maciças por contraplacados, por exemplo, ou importando matéria-prima. Mas, assim, estamos a perder qualidade e a produção é menos competitiva", alerta Vítor Poças.Nos últimos anos, o desaparecimento do pinheiro-bravo não tem tido uma resposta à altura. Vítor Poças salienta que, "há cinco anos, Portugal tinha 1,2 mil milhões de hectares de floresta de pinho. Hoje temos 750 mil hectares e, desse total, estima-se que cerca de 250 mil hectares estão infectados com o nemátodo do pinheiro". A falta de uma política de reflorestação do pinheiro e de manutenção das florestas de pinho tem agravado esta realidade que prejudica os fabricantes de mobiliário, mas também toda a fileira da madeira."Quando o nemátodo foi descoberto em Portugal, a Comunidade Europeia levantou restrições às exportações de madeiras. As serrações foram obrigadas a tratar as madeiros com choque térmico. Isso acarretou custos porque as empresas tiveram de investir em equipamento para tratar as madeiras e a Comunidade aprovou um fundo para ressarcir as empresas desses custos", recorda Vítor Poças.Segundo o presidente da AIMMP, o nemátodo do pinheiro já se instalou em Espanha, na região da Galiza, e até agora "a Comunidade não aplicou as mesmas medidas que aplicou a Portugal".Exigindo igualdade tratamento entre todos os países afectados por este verme, Vítor Poças, realça que a resolução do problema passa, também, pela criação de uma rede internacional de universidades e centros de investigação que estudem o genoma do pinheiro bravo. "A ideia é criar uma espécie resistente ao nemátodo e de crescimento mais rápido", explica Vítor Poças.No curto prazo, a melhor estratégia, e que faz parte das várias medidas para valorizar a floresta que o presidente da AIMMP apresentou durante esta semana ao secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Daniel Campelo, é apostar no controlo da floresta e no abate das árvores infectadas para evitar a sua propagação. Investir na marca e na imagem
A promoção das empresas e marcas de mobiliário no exterior tem sido uma das estratégias que tem favorecido o crescimento desta indústria. Só para este ano, a AIMMP-Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal tem um investimento total em acções de promoção no valor de cinco milhões de euros.O associação criou a marca "Associative Design" para a promoção externa e é sob esse nome que tem marcado presença em vários eventos em Nova Iorque, São Paulo, Buenos Aires e Miami. A próxima paragem da "Associative Design" é no Brasil já de 3 a 10 de Setembro. A Galeria Romero Britto, em São Paulo, recebe as marcas nacionais Mood, ZAGAS-AEF Meubles, Antarte, Laskasas Interiores, Decorpaços e KARPA - Albino Miranda, Lda. Recentemente, foi criada a Portugal Brands uma iniciativa que junta várias marcas de decoração para a casa e que se centra na divulgação no exterior de Portugal como um país com marcas de design nestes segmentos.A nível nacional, entre as iniciativas direccionadas para o sector, destacam-se as actividades desenvolvidas em Paços de Ferreira, pela associação empresarial, AEPF.