FCC invoca "empate técnico" na privatização da EGF

Os espanhóis da FCC continuam a insistir que o Governo deveria promover uma ronda final de negociações entre os dois finalistas na corrida à privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF) e invoca razões como a "transparência" do processo e a necessidade de desfazer o que considera ser um "empate técnico" entre a sua proposta e a da Mota-Engil. Isto no dia em que se soube que a Parpública e a Águas de Portugal emitiram já um relatório preliminar recomendando "a escolha imediata" do agrupamento SUMA (participada do grupo Mota-Engil) como vencedor do concurso.
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A notícia foi ontem avançada pelo Diário Económico, que teve acesso em primeira mão ao dito relatório. Contactado pelo DN/Dinheiro Vivo, o chairman da Mota-Engil não quis comentar, sublinhando que o grupo ainda está a "analisar o relatório preliminar". Os três concorrentes - SUMA, FCC e DST, classificados por esta mesma ordem - têm até sexta-feira para apresentar os seus comentários ou contestar as conclusões do documentos.

No entanto, António Mota sempre admite que o relatório - enviado às partes interessadas na passada sexta-feira, dia 29 de agosto - mais não faz do que reconhecer o que considera uma evidência: "Nós temos a melhor proposta e a que melhor defende os interesses da economia portuguesa".

No documento, Parpública e Águas de Portugal (AdP) defendem que o agrupamento SUMA "satisfaz amplamente todos os critérios em causa, bem como os objetivos da reprivatização da EGF" e, por isso, propõe a "escolha imediata" deste agrupamento.

Uma visão contestada pelos espanhóis da FCC, que consideramque, do ponto de vista do preço, a proposta da Mota-Engil é, apenas, "marginalmente mais favorável", sublinhando que a sua proposta "é superior" no critério ambiental e que ambas ficam "empatadas em todos os restantes critérios". E que, por isso, insiste num "leilão final" entre os dois primeiros classificados para desfazer"este empate técnico".

Recorde-se que as várias propostas apresentadas - houve uma quarta, dos belgas da Indaver, desclassificada por não ser uma oferta vinculativa - foram analisadas à luz de critérios como o preço, o cumprimento do projeto estratégico, dos objetivos ambientais e da minimização de potenciais dificuldades judiciais ou laborais. A capacidade técnica e de gestão e a idoneirade financeira dos concorrentes esteve, também, em avaliação.

Já o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia recusou tecer comentários ao relatório preliminar. "Este processo de privatização, por concurso público, compreende, antes da decisão pelo conselho de ministros, prevista ainda para setembro, a realização da audiência prévia dos candidatos sobre o relatório da Parpublica/ADP. Essa audiência está em curso desde a passada sexta-feira. O Governo apenas se pronunciará sobre a conclusão da privatização após decisão em conselho de ministros", afirmou fonte oficial.

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