Pedro Nuno Santos garante que a alternativa ao plano de reestruturação aprovado por Bruxelas, em 2021, era fechar a empresa o que custaria ao país 10 mil milhões de euros nos próximos sete anos. O ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação, que está esta quinta-feira, 15, a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP (CPI), citou um estudo da consultora McKinsey, feito para a TAP.
Em resposta ao deputado socialista do PS, Hugo Carvalho, que questionava sobre quais seriam os impactos do encerramento da TAP, caso o Estado não tivesse pedido luz verde a Bruxelas para injetar 3,2 mil milhões de euros na empresa, Pedro Nuno Santos disse ser difícil quantificar e citou o documento da consultora
"Segundo a McKinsey, que fez um estudo para a TAP, calculava um custo de 10 mil milhões de euros ao país até 2030", disse, admitindo que existe uma "margem de erro grande". "Portugal é no quadro europeu um país periférico e isso tem custos. Podemos ter as políticas certas mas objetivamente o nosso posicionamento geográfico é uma desvantagem com relevância. Não é a mesma coisa ter uma empresa perto dos mercados consumidores ou perto do local onde estão as matérias-primas", enquadrou.
Por isso mesmo, o ex-governante defende que "um hub desenvolvido é um grande ativo para o país". "Os turistas cuja duração de estadia mais tem crescido são os brasileiros e norte-americanos, e são os que mais gastam. Só chegam a Portugal na sua esmagadora maioria pela TAP. Isso mostra-nos bem que é difícil colocar um preço [nas perdas para o país com o encerramento da TAP]". "A TAP não é só uma companhia aérea que serve Portugal mas que serve a Europa", frisou.
"Sem a TAP e o hub não conseguiríamos aproveitar esta centralidade. Há esta dimensão que não é facilmente mensurável. Para as importações, para as exportações líquidas e para largas centenas de empresas portuguesas", enumerou.
Pedro Nuno Santos lamentou ainda que os constrangimentos no aeroporto da Portela asfixiem o crescimento da companhia aérea.
Pedro Nuno Santos regressa hoje ao Parlamento, depois de ter sido ouvido na semana passada, na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, no âmbito de um requerimento do PSD sobre a situação da TAP no período entre 2015 e 2023. O ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação, que fala aos deputados um dia depois do seu ex-secretário de Estado, Hugo Mendes, é a penúltima personalidade a ser ouvida na CPI. Amanhã será a vez do ministro das Finanças, Fernando Medina, que encerrará o ciclo das audições presenciais da CPI à TAP.