O intervalo das taxas de juro de referência da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos mantém-se em 1,75%-2%, mas a economia está a crescer a "um ritmo forte", bem como o mercado de emprego, argumentou o banco central norte-americano, esta quarta-feira.
Os agentes do mercado ouvidos pela Bloomberg consideram que é altamente provável (92%) que a Fed suba taxas de juro já em setembro, apostando num intervalo de 2%-2,25%.
No comunicado que resume as reuniões sobre política monetária de terça e quarta-feira, a Fed não se compromete com valores, mas reitera que "espera aumentos graduais adicionais da taxa de juro federal" e que estes "serão consistentes com a expansão sustentada da atividade económica, as condições fortes do mercado de trabalho e com um objetivo de inflação próximo de 2%".
Além disso, diz a autoridade presidida por Jerome Powell, "os riscos que se perspetivam para a economia parecem estar equilibrados".
Atualmente, de acordo com a informação mais recente possível, a Fed considera que as coisas estão a correr cada vez melhor na economia. Além do mercado de trabalho, o banco central diz que as despesas das famílias e o investimento das empresas estavam "a crescer fortemente". A inflação está próxima dos 2%, observa a instituição.
Quem terá gostado menos desta decisão foi o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente atacou o plano da Fed para agravar o preço do dinheiro.
Supostamente, no entender de Trump, o banco central quer aumentar mais duas vezes o intervalo das taxas de juro até ao final do corrente ano. "Não estou entusiasmado" com isso, disse numa entrevista à CNBC a 19 de julho.
No dia seguinte, voltaria à carga na sua conta do Twitter. "Os Estados Unidos não devem ser penalizados porque estamos a ir tão bem. Cortar agora [taxas de juro] vai contra tudo o que fizemos. Os EUA devem poder recuperar o que perderam com a manipulação ilegal de moeda e os MAUS acordos comerciais. Temos dívida que vai vencer e estamos a aumentar taxas - a sério?"
A Fed já aumentou as taxas sete vezes desde que acabou a crise financeira. O Banco Central Europeu (BCE) ainda não mexeu nos juros, continuando assim a taxa diretora de referência nos 0%.
Segundo Mario Draghi assim deverá continuar até ao final do verão do ano que vem, altura em que as taxas de juro da zona euro podem começar finalmente a subir.
(atualizado às 19h35)