Federações Empresariais Europeias alertam para perda de competitividade

Além da fuga de IDE da Europa para outras regiões, Armindo Monteiro, presidente da CIP, alerta para a perda de competitividade da UE. "As empresas afundam-se em encargos legislativos, com 502 novas obrigações europeias dirigidas às empresas entre 2017 e 2022", vinca o representante português na BusinessEurope.
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Enquanto nos EUA o investimento direto estrangeiro (IDE) aumentou 63%, na UE esse indicador caiu 66% em 2021, por comparação com 2019. E é este o ponto de partida para as preocupações das confederações empresariais europeias, que falam em nome de 20 milhões de grandes empresas e PME dos setores da indústria e dos serviços. Alertando para esta grave e flagrante perda de competitividade das empresas na Europa, a organização, que conta com representantes de 35 países europeus, defende uma "abordagem estratégica urgente da Presidência Espanhola" do Conselho da União Europeia, que começa daqui a um mês, para reverter a perda.

"A perda de competitividade da UE é gritante. As empresas afundam-se em encargos legislativos, com 502 novas obrigações europeias dirigidas às empresas entre 2017 e 2022, que representam 3670 páginas de regulamentação. A isto acrescem os preços de energia, muito superiores aos dos EUA, situação que não se deverá corrigir no curto prazo: as cotações dos mercados futuros são, para o verão de 2025, quatro vezes superiores ao período pré-covid na UE e duas vezes superiores nos EUA. Dado este contexto, temos de perceber que a deslocalização é uma realidade que já está em curso, e isto trará sérias consequências para a economia europeia, e com impactos prolongados, dado que uma vez tomada a decisão de deslocalizar, o processo não é facilmente reversível." alerta Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal.

Reunidos em Madrid hoje e amanhã, os presidentes das federações empresariais debatem temas como a perda de competitividade e a burocracia europeia, cujos efeitos tem afetado negativamente a performance e capacidade de geração de valor das empresas neste continente. Na ocasião, os patrões apresentaram a Nadia Calviño, vice-primeira-ministra de Espanha, a Declaração de Madrid, com as prioridades das empresas europeias para a Presidência espanhola, que arranca a 1 de julho. O documento será ainda levado à mesa do vice-presidente da Comissão Europeia, Maragritis Schinas, com quem vai ser debatida a estratégia europeia para a competitividade.

De acordo com os responsáveis, a Declaração de Madrid alerta para a necessidade de ação urgente da União Europeia em cinco áreas:

1. Reduzir a excessiva carga regulamentar;

2. Aprofundar o mercado interno e assegurar condições de concorrência equitativa;

3. Assegurar o abastecimento de energia a preços competitivos;

4. Resolver o défice de competências, promover a inovação e apoiar reformas para aumentar a produtividade;

5. Criar oportunidades no mercado internacional para as empresas europeias.

Os presidentes das federações empresariais europeias defendem uma abordagem estratégica centrada no aumento da competitividade, para que a União Europeia seja atrativa para o investimento no contexto internacional e inverta a tendência dos últimos anos.

De acordo com o presidente da BusinessEurope, Frederik Persson, "a queda dos preços da energia graças a um inverno ameno ajudou a afastar piores receios da economia da UE, mas alguns países estão em recessão e a situação continua a ser difícil para muitas empresas". A previsão é de que "o crescimento atinja apenas 0,7% na UE em 2023 e 1,6% em 2024, desde que não se concretizem os riscos negativos, como a continuação da instabilidade geopolítica", diz.

"Precisamos de empresas competitivas para reforçar a posição global da Europa, a sua capacidade de defender os nossos valores, garantir elevados padrões de vida e concretizar as transições ecológica e digital", considera o presidente da CEOE, Antonio Garamendi.

Ao orientar as negociações sobre as políticas da UE, a organização insta por isso a Presidência espanhola a promover uma abordagem estratégica da competitividade, "ajudar a reduzir a carga regulamentar para as empresas, aprofundar a integração do mercado único e garantir o aprovisionamento energético a preços competitivos". "Uma indústria europeia com capacidade para investir e inovar é a única via para que se cumpram as ambições do pacto ecológico e alcançar, simultaneamente, progresso económico e social", defende.

A BusinessEurope defende por isso ser essencial aprofundar as parcerias de comércio internacional, de forma a aumentar e diversificar as fontes de abastecimento de matérias-primas críticas estratégicas e os mercados de exportação. "Apoiamos plenamente a intenção da próxima Presidência espanhola em dar um novo impulso à conclusão e ratificação de acordos comerciais com o Chile, o México e o Mercosul."

"Precisamos de empresas competitivas para reforçar a posição global da Europa, a sua capacidade de defender os nossos valores, garantir elevados padrões de vida e concretizar as transições ecológica e digital. Estamos confiantes de que a próxima Presidência espanhola da UE se baseará no trabalho iniciado no início deste ano para lançar uma ambiciosa estratégia europeia de competitividade", conclui Antonio Garamendi.

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