Fer0m0nas, rei dos videojogos. Este é o maior Youtuber português

Aos 23 anos, Miguel Campos é um fenómeno de popularidade: tem um livro publicado, emprestou a voz para um filme e fala para milhões de seguidores em Portugal e no Brasil.
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Mas nem todos o conhecem por este nome; chamam-lhe Fenom, diminutivo de Fer0m0nas, o nome do canal no YouTube sobre videojogos que o tornou conhecido. Os fãs autodenominam-se "Fenoninhos".

Com mais de 2,686 milhões de subscritores, Miguel Campos assumiu há algum tempo o lugar cimeiro no top dos Youtubers portugueses, e por isso foi um dos convidados exclusivos da editora de jogos Ubisoft para ir à feira E3, em Los Angeles. Foi lá que Fenom falou com o Dinheiro Vivo depois de uma intensa sessão de demos com os óculos de realidade virtual Project Morpheus, da Sony.

"Achei uma experiência única, gostei de testar principalmente os jogos de terror e de notar que é uma experiência super imersiva", revela, mostrando-se impressionado com o realismo da demo "Kitchen". "Não notava esse nível de profundidade nalguns dos jogos no Oculus Rift como notei no Morpheus. Estou à espera de mais oportunidades para jogar, para dar uma opinião mais aprofundada, mas daquilo que vi gostei.". Fenom adquiriu um par de Oculus Rift DK2, que ainda não é a versão comercial, no final do ano passado. Tem mostrado a sua experiência em vários vídeos no canal. Tanto o Oculus Rift como o Project Morpheus serão lançados comercialmente no início do próximo ano.

Viver do YouTube

Segundo o site de estatísticas SocialBlade, as receitas do canal Fer0m0nas podem situar-se entre os 1700 e os 28 mil euros mensais, uma estimativa que varia conforme o número de visualizações, gostos, partilhas, até da altura do ano (maior ou menor procura por parte de anunciantes, preço da publicidade nesse mês). O jovem português diz que se trata de uma rentabilidade "sustentável", que lhe permite viver não apenas do YouTube mas de tudo o que rodeia a sua marca.

Por exemplo, a popularidade rendeu-lhe o convite para ser ator de voz no filme "Os Feitiços de Arkandias", que estreou há três meses. Não é preciso perguntar porquê: o tom quase de desenho animado que usa nos vídeos é uma das suas marcas pessoais. Assim como é o Minecraft, o jogo que a Microsoft comprou no ano passado por 2,2 mil milhões e que motivou o convite para a revisão técnica dos livros oficiais do jogo, editados em outubro do ano passado.

Já no início deste mês, outro projeto viu finalmente a luz do dia, com a publicação de "O Livro do Feromonas", da Editorial Presença, que apresenta 35 desafios "fenonásticos" para partilhar nas redes sociais.

Além do YouTube, Fenom também tem presença noutras redes, com 558 mil seguidores no Twitter e 457 mil fãs no Facebook. Há outra parte que vem dos fãs e não deixa de ser engraçada: um blogue no Tumblr intitulado "Feromonas Lindo", uma página no Blogger chamada "TUDO sobre Feromonas" e até uma história ficcional (fanfic) escrita por uma fã brasileira, "Uma estranha em Lisboa".

Quem venceu a E3?

Foi a primeira vez que Fenom esteve na Electronic Entertainment Expo (E3), o maior evento da indústria de videojogos. "É algo inimaginável. Podemos ver o trabalho deles, jogar e dar a nossa opinião", diz ao Dinheiro Vivo. "É uma oportunidade única, mas espero que se repita para a Gamescom e não só para nós mas também para outros Youtubers", desafiou.

Nesta edição, que decorreu na semana passada, a realidade virtual foi uma das maiores tendências - precisamente o motivo que levou Fenom e Mr. Remedy, outro Youtuber português, a experimentar as várias demos do Project Morpheus. "A realidade virtual está a melhorar, mais jogos estão a adotar este sistema, faz todo o sentido", opina, confiante de que é possível que em breve estes gadgets venham a ter um papel massivo na vida de jogadores em todo o mundo. Há uma questão importante, no entanto. "Para ser possível tem de ter o preço de uma consola, no máximo. Eu gastei imenso no Oculus Rift", admite - o DK2 foi posto à venda por 350 dólares, mais impostos e despesas de entrega. "Se puderem minimizar o preço é ótimo e mais pessoas vão poder comprar."

E foi com isto que a Sony venceu a E3? Não exatamente. "Acho que a Sony ganhou este ano", defende, "porque apresentaram os maiores exclusivos e não exclusivos, mostraram algumas das coisas que eu queria ver, como por exemplo "The Last Guardian". Fenom esteve nas apresentações e estava à espera de mais da Microsoft. "Esteve um bocado subpar [abaixo], tendo em conta que teve a retrocompatibilidade como ponto forte. É ótimo, mas é um bocado inferior a novos lançamentos, que é o que as pessoas querem ver."

No caso da Nintendo, que não fez apresentação ao vivo, Fenom não teve muitas palavras. "A competição é saudável, mas a Nintendo não considera a E3 como competição com as outras e parece que desilude cada vez mais", afirmou, ressalvando que gosta "bastante" da marca.

Quanto ao resto, sublinha as demos de "Until Dawn" e "Fallout 4". "Alguns jogos indie que vi pelo evento também foram brutais. Foi a primeira vez em Los Angeles e tudo tem sido incrível." Tal como a tentativa de dançar ao som de "Hangover" dos Buraka Som Sistema, no jogo "Just Dance 2016", como o mais recente vídeo no canal comprova.

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