Festival de criatividade. "O futuro é o que quiseres fazer dele"

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Susana Albuquerque, presidente do Clube de Criativos de Portugal, revela ao

Dinheiro Vivo quais as expectativas sobre a 15.ª edição do Festival, que reúne criativos

da publicidade, design, digital... e mais quem quiser aparecer e sentir o

(des)conforto.

Que balanço faz do número de trabalhos inscrito este ano?

Este ano houve um crescimento no número de inscrições, totalizando 634 trabalhos. Houve ainda um crescimento no número de inscrições indies, pequenos ateliers e trabalhadores independentes que podem inscrever trabalhos com 50% de desconto. É mais um passo no sentido de premiar as grandes ideias, qualquer que seja a estrutura de onde elas vêm.

Qual a sua expectativa em relação a esta edição em termos criativos?

Já tínhamos a sensação, na direção do Clube, que o ano não tem sido tão mau em termos criativos como a crise anunciava. É verdade que há grandes anunciantes que praticamente desapareceram do festival e das ruas. Não foi um grande ano de ideias com grandes investimentos, mas... é um ano de boas ideias para projetos mais pequenos, de marcas grandes e de marcas de menor dimensão. Também se nota uma tendência crescente, que é global, para inscrever projetos multidisciplinares, que acabam por ser premiados em diferentes categorias. Por essa razão, a somar à Agência do Ano e Anunciante do Ano, em cada categoria, vamos ainda atribuir um Grande Prémio de Agência do Ano do festival, ou seja, a agência mais pontuada no total das categorias. De salientar que quase todos os ouros são projetos que tiveram grande impacto mediático. É isso que se quer também das grandes ideias. Que sejam eficazes, qualquer que seja o seu mercado, disciplina ou dimensão.

O festival arranca amanhã, dia 22, com uma série de criativos a trabalhar fora. É o caso de Paulo Martins, Hugo Veiga e José Ricardo Cabaço. Qual o objetivo?

O objetivo do festival tem sido sempre premiar os melhores trabalhos do ano, mas também criar conteúdos relevantes para o mercado onde trabalhamos, possibilitando o encontro de profissionais interessados e com vontade de aprender e ouvir outras experiências. Este ano não é exceção. Criámos 3 dias de conferências com painéis que interessam ao nosso mercado, mas também a outros públicos com quem nos relacionamos: escolas, indústrias criativas, empreendedores. Num dos dias de conferências criativas, patrocinadas pelo Meo M4O, pareceu-nos oportuno convidar três bons exemplos de talento português internacional. Se ainda restarem dúvidas sobre o talento que Portugal produz, o Clube quer contribuir para acabar com elas. E já agora, queremos aprender com eles sobre outras formas de trabalhar em mercados de outros países, como se viajássemos sem sair do lugar. Aos três portugueses de ouro que foram para fora, mas também ao Leandro Alvarez, ao Pedro Albuquerque, ao João Vitória, ao Tiago Guedes, Gonçalo Waddington e Bruno Nogueira que criaram o Odisseia, e ao João Vasconcelos que teve a ousadia de fazer o Canal 180, tudo gente audaz que pensa diferente e trabalha em Portugal.

O futuro da criatividade em 10 slides. Qual a sua expetativa?

Este painel é um grande orgulho para o clube. Penso que é a primeira vez que 14 directores criativos portugueses de grande reputação se juntam numa mesma sala para falar. Desafiámo-los a fazer previsões sobre o futuro. Não é um tema muito confortável, ninguém sabe o que vem aí. Mas é tudo gente que vê para além do prazo de 15 dias e que tem um olhar pessoal sobre a profissão. Vai ser um dos momentos altos do festival. Eu vou estar na primeira fila.

Gostava que a Susana, enquanto diretora criativa (Lintas) resumidamente, me revelasse os seus 10 slides.

Assim não vale, sem preparação... Acho que só precisava de 8 slides e escrevia uma palavra em cada um:

O

Futuro

É

O

Que

Quiseres

Fazer

Dele

Qual o objetivo do dia dedicado às escolas?

Dia 24. Convidámos representantes das principais escolas de criatividade em Portugal para falar sobre o desafio de preparar uma nova geração de criativos. O objetivo é atrair estudantes e professores para que possam ter uma visão mais rica do ensino da criatividade. Cada aluno escolhe uma escola para estudar, mas nesta manhã, vai poder aprender com a visão de oito escolas diferentes.

E nos workshops. Quem pode participar?

Os workshops são de entrada livre. Nas masterclasses de fotografia (comissariadas pelo Pedro Ferreira), basta aparecer um pouco antes da hora para assegurar o lugar. A sala tem uma capacidade máxima de 60 pessoas. Na quarta, "Naked" é uma masterclass sobre o nu desenhado e o nu fotografado, com o Carlos Ramos (fotógrafo) e o Artur Ramos (professor de desenho). Na quinta, "Desvio" é uma masterclass da kameraphoto, onde Augusto Brázio e Nelson d"Aires, dois fotógrafos do colectivo, farão um ping-pong de imagens de cada uma a partir de palavras-chave.

Há ainda o workshop da Startup Lisboa, também de entrada livre, mas para aqui convém reservar lugar por mail (susana.mento.ccp@gmail.com). Trata-se de uma sessão que ocupará toda a manhã de sexta-feira e que se destina a empreendedores criativos que queiram saber mais sobre os aspectos práticos de criar um negocio, tais como fazer um plano de negócio. O workshop contará com a presença de Marta Miraldes da Startup Lisboa, Tiago Franco da Imaginary Cloud e Mariana Duarte Silva da Village Underground Lisboa. Na nossa profissão, muitas vezes caímos no erro de pensar que basta ter ideias. A sessão ajudará ainda a criar as bases da futura Startup Creative, a lançar pela Câmara Municipal de Lisboa num futuro próximo.

Na Pow Industry participam empreendedores vencedores. É esta mensagem positiva que tem de ser passada?

Sem dúvida. Procurámos casos inspiradores em três áreas: grandes marcas com projetos ligados às indústrias criativas - a Red Bull, a Fabrica Benetton e a EDP -; projetos dinamizadores da criatividade e do empreendedorismo - a LX Factory, a Oliva, a Startup Lisboa com a CML, a Addict, o P3 - e empreendedores que saíram da sua zona de conforto para criar negócios de sucesso - o H3, o Bas Ruyssenaars e a Herdade da Cortesia. Acreditamos que a mudança também na economia vem das boas ideias e da capacidade de fazer.

Susana Albuquerque destaca ainda



- Na Central Station, Jorge Silva, curador do Clube para a ilustração, preparou uma mostra do estado da arte na ilustração portuguesa contemporânea como há muitos anos não se fazia por cá, com o apoio da EDP. Chama-se Ilustra33 e mostra o trabalho de 33 ilustradores portugueses numa sala especial, a sala dos antigos arquivos dos Correios.

- Pedro Ferreira, curador do Clube para a fotografia, organizou 4 exposições: "1,35", a partir do projecto Diário da República da Kameraphoto; "Monografia" de Carlos Ramos; "Sharing", o Instagram do José Ricardo Cabaço, que se pode roubar e levar para casa (mas só no fim-de-semana); e "A tempestade é directora de Arte", o inverno fotográfico do Nuno Leal.

- Marco Dias, curador do CCP para as artes, criou a Alter Ego Art Gallery, uma galeria onde artistas, designers e publicitários expõem e vendem as suas obras.

- E ainda um mercado aberto todos os dias, das 14h às 20h, com o apoio do Continente, para vender as marcas dos criativos - t-shirts, objectos, acessórios, ilustrações -, além de algumas obras das exposições.

- Na Brand Gallery, no Largo Vitorino Damásio, há "Um produto moderno!", uma viagem pela publicidade da Unilever dos anos 50, 60 e 70. Sábado e domingo às 14h há visitas guiadas com a Ana Magalhães, curadora da exposição, e Olga Pinto Pereira, prémio carreira deste ano e autora de algumas das campanhas expostas.

Mas hoje à noite, é a vez da festa de pré-inauguração do festival na Faktory, onde há o Desconforto Poético (Isabel Zambujal e Luís Carvalho desafiam criativos a recitar anúncios) e Jingle Jam, um concerto com a CCP All Stars Band (Quim Albergaria + Riot + Miguel Nicolau + Francisco Ferreira), que tocarão jingles de sempre com sons de agora, a partir de uma ideia do Nuno Leal, curador do Clube para a música.

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