Direcionada para o mercado da cultura, a Fever é uma empresa que afirma ser líder mundial na digitalização da economia de experiência. Presente em cidades como Madrid, Nova Iorque e Londres, chegou a Portugal (Lisboa) em julho de 2018 para desafiar e conquistar o público português.
"O mercado português esteve sempre nos nossos planos", começa por contar ao Dinheiro Vivo Diogo Almeida, o novo diretor geral da marca, que confessa também que estão "muito satisfeitos com a decisão de abrir em Portugal e com os resultados obtidos". Esta foi, em parte, uma das razões que impulsionou posteriormente a expansão à cidade do Porto.
Num contexto de pandemia e de um consequente confinamento que se mostrou tão penalizador para a economia, e em particular para o setor da cultura, a Fever indica que tem conseguido contrariar essa tendência em Portugal e, não só não registaram perdas como, no geral, estes últimos se revelaram "os melhores meses de sempre, mesmo comparando com os números anteriores à covid-19", a prova disso é que o crescimento é de cerca de "100% em número de bilhetes vendidos, relativamente ao ano passado" declara Diogo Almeida.
Para que estes resultados fossem possíveis, houve alterações que tiveram de ser feitas. Com as atividades culturais suspensas durante largos meses, a Fever posicionou-se, principalmente, como consultora dos seus parceiros e clientes, ao disponibilizar as suas equipas de tecnologia e criação, para os ajudar a desenvolver novas experiências que os permitissem sobreviver. Foi esta "tecnologia de análise de dados" que ajudou a "identificar experiências inovadoras e seguras, assim como conteúdos que geraram até 50% mais interesse no público."
E que experiências inovadoras foram essas?
Nem tudo o que resulta do contexto de pandemia é negativo e a Fever vem mostrar isso mesmo. A experiência Wine In, tal como o nome aponta, é uma degustação de vinhos que acontecia à distância. Difícil de imaginar como, certo? No entanto, esta era realizada em formato online onde cada pessoa recebia um pack de 3 vinhos e ainda o acesso a uma degustação com o enólogo António Maçanita.
O mesmo processo acontecia com a Beer In, uma desgustação de cervejas onde se recebia um pack de 5 cervejas da Nortada e o acesso a uma prova com o mestre cervejeiro Ramon García.
Outros exemplos desta readaptação foram o Crush Wine Festival, Beer In & Out, Yoga & Breakfast e o LIFT Festival Rooftop Brunch. Embora estas experiências não se encontrem de momento disponíveis, trouxeram alguma normalidade às adversidades do contexto.
Crescer em tempos de pandemia...
O crescimento que a plataforma registou pode justificar-se também, segundo Diogo Almeida, devido "à necessidade das pessoas interagirem umas com as outras". Neste contexto são os programas que "garantem a distância entre as pessoas ou para pequenos grupos" que mais sucesso fazem, assim como "todos os eventos ao ar livre e os pop-ups imersivos".
Com um ritmo de crescimento a chegar aos 60% ao ano, garante que "a procura por experiências diferentes e inovadoras" se mantém e que as "pessoas querem continuar a interagir com os seus amigos e familiares, seja qual for o formato do evento".
Entre os pacotes e experiências que têm disponíveis, os portugueses encontram-se especialmente rendidos a dois. A série Candlelight Open Air, um conceito original Fever, realizado tanto em Lisboa, como no Porto, e que foi adaptado para locais exteriores como rooftops, terraços e jardins para a garantia de uma experiência em segurança, e o Magical Garden Belém, da parceria O Cubo, ambos ao ar livre e exemplos de grande sucesso.
Também o conceito Dining in the Dark, um Fever original em que os participantes jantam de olhos vendados, sem saberem o que vão comer, transformando o jantar numa experiência gastronómica, é um outro exemplo de um evento seguro e original, que esgotou várias sessões em poucos dias" afirma o jovem empreendedor.
O objetivo da Fever em Portugal, tal como nas outras cidades em que estão presentes "é aumentar o alcance" e posicionarem-se, cada vez mais, "como a plataforma com que o público pode contar para descobrir as melhores experiências na sua cidade". No entanto, com as restrições que vieram para ficar, neste momento a solução passa também por "agir como consultores e acompanhar as comunidades, desde a conceção à execução de uma experiência".
Considerada a Netflix das experiências, este é uma plataforma que promete ajudar o utilizador a descobrir os melhores programas na sua cidade, desde concertos a teatros, experiências imersivas e pop-ups, ajuda também a capacitar os organizadores de eventos a criar conteúdos originais.
Com uma equipa que conta atualmente com 15 colaboradores em Portugal, e com tantos outros portugueses a trabalhar na sede em Madrid, a procura por novos talentos não cessa, em especial nas áreas de marketing, growth marketing e engenharia.
Durante o pós-confinamento, a multinacional não deixou de se expandir, marcando agora presença em mais de 25 novas cidades, entre elas Genebra e Washington DC. "A nossa estratégia de expansão assenta em dois objetivos principais: alcançar novos países como a Austrália por um lado, mas também consolidar cidades-chave em mercados existentes, como Chicago ou Porto."