Os 5,74 mil milhões de dólares (5 mil milhões de euros) em ações da Tesla que Elon Musk, o homem mais rico do mundo, entregou a instituições de caridade em 2021 catapultam-no para o segundo lugar entre os mais generosos do ano. Segundo o The Wall Street Journal, só Bill e Melinda Gates entregaram mais nesse ano: um total de 15 mil milhões de dólares (cerca de 13 mM €).
Quando se abre o horizonte temporal, porém, Musk nem entra nos dez maiores filantropos de sempre. E se o ex-casal fundador da Microsoft figura no segundo lugar entre os mais generosos do mundo, com mais de 50 mil milhões de dólares (44 mM€ distribuídos para causas humanitárias ao longo de três décadas, o primeiro lugar do pódio está quase nos antípodas - e o valor em causa mais que duplica o que os Gates desembolsaram.
A fortuna de Bill e Melinda Gates, segundos na lista dos maiores filantropos do mundo, estava avaliada em 110 mil milhões de dólares em 2020. E uma parte significativa da fortuna arrecadada entregue a causas nas áreas da saúde, pobreza extrema, educação e acesso às tecnologias da informação.
Jamsetji Tata, o industrial indiano que criou o gigante empresarial que lhe tomou o nome, é o mais generoso dos filantropos de que há registo. Durante a sua vida (1839-1904), doou mais de 102 mil milhões de dólares (cerca de 90 mil milhões de euros, valor ajustado à inflação), dedicando-se a apoiar sobretudo causas ligadas à educação e à saúde. A sua generosidade mereceu-lhe o reconhecimento pela EdelGive Foundation & Hurun Research India como o maior filantropo do século XX.
O grupo Tata, fundado por Jamshedji em 1868 na Índia, é ainda o maior grupo empresarial privado daquele país e um dos mais respeitados do mundo, com perto de 300 mil trabalhadores e ativos nos setores do aço, da indústria automóvel, das tecnologias da informação, da comunicação, da energia, do chá e do turismo, repartidos por 114 empresas.
Na lista dos multimilionários que mais dinheiro distribuíram para causas nobres seguem-se outros dois americanos e um indiano a fechar o top5 com valores que variam entre os mais de 30 e os mais de 20 mil milhões de dólares (27-17mM€) doados a causas como a saúde e a educação.
Com uma fortuna avaliada em 114 mil milhões de dólares (100mM€) que faz dele a oitava pessoa mais rica do mundo, o magnata e investidor Warren Buffett é um conhecido filantropo, tendo dedicado uma fatia considerável dos seus fundos a ajudar outros, nomeadamente na luta contra a sida. Mas talvez o seu mais notável ato a este nível tenha sido a cofundação (com Bill Gates), em 2009, do The Giving Pledge: um veículo através do qual se comprometeu a doar pelo menos metade da sua fortuna. No ano passado, a instituição de caridade contava já com 231 signatários de 28 países, num valor total estimado de 600 mil milhões de dólares (530mM€).
Às causas mais acarinhadas pelos filantropos, George Soros acrescentou os direitos humanos e a luta antifascista - que justificadamente marcaram o investidor de origem húngara. Com uma fortuna hoje avaliada em 8,6 mil milhões de dólares (7,5mM€), Soros entregou ao longo da sua vida (tem hoje 91 anos) mais de 30 mil milhões, o correspondente a 64% daquilo que foi acumulando. Na proporção entre fortuna e donativos, é o mais generoso, segundo a Forbes.
O engenheiro, empresário e investidor Azim Premji, conhecido como o czar da indústria das Tecnologias de Informação indianas - e um dos muçulmanos mais influentes e poderosos do mundo -, completa o top cinco. Também signatário do The Giving Pledge, Azim criou uma fundação que trabalha a Educação na Índia, à qual entregou mais de 2 mil milhões, tendo atingido o topo da lista de maiores filantropos EdelGive em 2020. Depois de prescindir de boa parte da sua fortuna, caiu de segundo para 18.º mais rico da Índia, na lista da Forbes.