

Nos dias que correm a turbulência nos mercados financeiros é muita. Desconfiamos que a Inteligência Artificial nos irá matar a todos numa década, mas também que não há futuro com as taxas de juro a subir. Mais. Mesmo com as ações que considerávamos seguras por representarem empresas do futuro, estas poderão valer um pataco com uma nova “bolha” semelhante à dos anos 2008/2009.
Também não ajuda o investimento nos mercados financeiros quando ouvimos “palavrões” de descida ou subida de yields (que ninguém traduz e gera confusão), que começaram na dívida americana e que se estão a espalhar por todo o mundo, sem saber o que significa yields (rendimentos) e as consequências da inflação sobre os rendimentos e a poupança. Ou ler que o Estado português paga juros da dívida acima dos 3% ou ainda pensar que investir no ouro é entrar num momento de preços exorbitantes.
Isto são os mercados financeiros nos seus piores dias ou semanas. E investir de forma inteligente não é nada disto, não passa por consultar sites, redes sociais e noticias, ou atascar-se em “papers” dos gurus dos mercados financeiros. Isto é a “espuma” da qual vivem os brokers e operadores do sistema financeiro.
Aquilo de que falamos é algo bem mais calmo, de pensar num investimento financeiro a longo prazo, no mínimo a 10 anos, ou mesmo pensar como os americanos em aplicações nos mercados financeiros para a reforma e a ter aconselhamento profissional para este longo prazo.
Neste texto não se pretende influenciar ninguém a optar pelo aforro em produtos de reduzido risco, nem em aplicações financeiras que podem determinar a perda parcial ou total do dinheiro envolvido. O que se pretende é dar uma perspetiva simplificada daquilo que é uma alternativa dentro dos vários modelos, que permite aplicar dinheiro para ter rendimento.
O inimigo n.º 1
Quando pensamos em mercados financeiros há um inimigo n.º 1 e depois vêm todos os outros. O primeiro é a inflação e as políticas monetárias, nomeadamente a subida dos juros diretores para combater o flagelo da erosão do valor do dinheiro. Os mercados financeiros servem para contrariar uma tendência que é a perda do valor das poupanças e do dinheiro pelo efeito inflação, e daí a estratégia de longo prazo, que é a adequada para quem não está a pensar profissionalizar-se na especialização com ações, obrigações, câmbios ou commodities, caso do ouro e outros metais preciosos e semipreciosos, ou ainda de hidrocarbonetos ou de produção bovina e vegetal. Tudo pode ser transacionado nos mercados financeiros no presente e futuro e, claro, temos sempre especulação, mas, mais uma vez, não é isso que nos interessa tratar. Para quem investe com um horizonte de 10 a 20 anos, o foco deve ser estritamente o longo prazo. Nestes cenários, flutuações de curto prazo e sell-offs de mercado transformam-se em mero ruído que deve ser ignorado.
Depois de identificarmos o inimigo principal, o passo seguinte é olhar para as soluções: ações, obrigações, depósitos a prazo ou ETFs, sempre com os olhos postos no longo prazo. Vamos começar por estes últimos. A sigla ETF pode parecer um "palavrão", mas o conceito é simples: trata-se de um fundo que replica o desempenho de um índice de ações, de obrigações ou de cabazes de mercadorias. Ao investir num ETF, está a comprar um modelo de ativos altamente diversificado, o que ajuda a diluir o risco. Além disso, todas as transações são feitas diretamente numa Bolsa de Valores, o que garante total transparência, credibilidade e confiança ao investidor.
Para investir, pode recorrer a corretoras especializadas como a DEGIRO ou a XTB, a intermediários financeiros nacionais como o Banco Carregosa, ou simplesmente utilizar o banco do seu dia a dia. Estas plataformas disponibilizam uma vasta gama de ETFs negociados em dezenas de Bolsas de Valores internacionais. O seu único trabalho será escolher a que lhe der mais conforto e apresentar as comissões mais baixas.
O mercado está cada vez mais competitivo. Exemplo disso é o Openbank (grupo Santander), que eliminou a comissão de custódia e passou a cobrar uma tarifa fixa de apenas 1 euro por operação, independentemente do montante investido ou do mercado escolhido. O catálogo desta entidade digital inclui mais de 4.000 ações e cerca de 600 ETFs.
Ideais para iniciantes, os ETFs oferecem maior flexibilidade do que os tradicionais fundos de investimento mobiliários. Como a sua gestão é maioritariamente passiva, os custos associados tornam-se drasticamente mais reduzidos. Ainda assim, recorde-se: não existem produtos financeiros sem risco. O ideal é começar com quantias pequenas — de apenas algumas dezenas de euros — e reforçar a exposição à medida que se sentir mais confortável com a dinâmica dos mercados.
Falámos de um dos instrumentos mais simples e que melhor mitiga o risco de perda de capital, mas o investidor de longo prazo pode querer pensar “em grande” e tem instrumentos para arriscar como as ações, obrigações, matérias-primas (commodities), fundos de investimento, câmbios (forex) ou derivados. O funcionamento é similar em todos os instrumentos e a única diferença está no risco assumido em termos de perda de capital e no custo da transação. O processo começa por abrir uma conta num intermediário financeiro, um gestor de investimento, uma plataforma ou uma corretora, dá uma ordem depois de estudar o produto que quer e, de preferência, se aconselhar com um profissional de investimento em ativos mobiliários. E vai acompanhando a evolução do preço do ativo que comprou. Uma recomendação relevante: pense em períodos longos para verificar o investimento, caso contrário não irá dormir a pensar que hoje perdeu 10% e no final do mês só tem metade do que investiu. Os mercados têm a chamada volatilidade, ou seja, subidas abruptas e quedas muito inclinadas e, por isso, o relevante é ver o que se passa no semestre, no ano ou até a cada três anos. Lembre-se sempre que não há garantias de capital nestes investimentos.
Recomendações
Para evitar o risco de perdas de capital é conveniente diversificar os investimentos e não apostar tudo no mesmo setor de atividade e na mesma geografia, lembrando-se que quando compra produtos fora da zona euro, está a comprar numa moeda como o USD dólar, que pode apreciar-se ou desvalorizar-se relativamente à moeda que usou, neste caso o euro. Pode escolher e dar ordem para compra de ações de um setor num país, e obrigações de outros setores em outro país. Aliás, este é o princípio dos ETF e daí a recomendação para começar com esses ativos. Ao diversificar minimiza o risco.
Depois tem de definir o horizonte de investimento, sendo que a nossa recomendação é que pense no futuro e não no dia a dia. O que nos diz a história é que o mercado tem uma tendência crescente a médio e longo prazo. Depois não invista tudo o que tem de uma única vez. Vá fazendo os investimentos faseados e beneficie de diferentes preços para fazer uma média e, se entrar quando o ativo está a descer, sempre que comprar irá melhorar a média do preço nesse mesmo ativo.
Pode também pensar em investir em títulos que dão historicamente um rendimento, caso das ações com pagamento de dividendos, sendo que há empresas, sobretudo de consumo e que pagam 4%, 5%, ou mais do seu valor no mercado em dividendos. Isso significa ter rendimento anual sem necessidade de vender as ações. Um dos exemplos mais estudados é o da PepsiCo no mercado americano, e da própria CocaCola com dividendos consistentes.
Outros ativos de forte interesse e maior potencial de ganho associado a maior risco implicam mais conhecimento do mercado e é um tema que deixaremos para um outro artigo.
*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo Dinheiro Vivo com total independência editorial. Conheça as regras do DN relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros.