Muito trânsito automóvel e consumo de combustíveis.
Muito trânsito automóvel e consumo de combustíveis.Foto: PAULO SPRANGER / Global Imagens

Finanças Pessoais. O meu primeiro carro: um elétrico ou um híbrido

A escolha depende diretamente das rotinas e quilómetros diários de cada condutor. Fatores como o local de carregamento, o preço dos seguros e os custos de manutenção (TCO) ditam o verdadeiro peso na carteira.
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Pode ser um sonho ou um pesadelo a compra do primeiro carro. Temos a questão do preço, ser novo ou usado, e optar por um veículo a combustão, gasolina ou gasóleo, ou por um eletrificado, que pode ser 100% elétrico ou um híbrido, a circular maioritariamente a gasolina, mas com algumas dezenas de quilómetros de autonomia como elétrico. As dúvidas são muitas, até porque dentro de cada categoria há subcategorias de motorizações, sendo que os veículos eletrificados podem ser plug-in, ou seja, carregáveis num carregador, ou podem ser híbridos com carregamento feito pelo próprio veículo que usa um motor a gasolina para gerar eletricidade.

E se só olharmos para os carros novos podemos discutir o preço, sendo que os carros elétricos ou eletrificados são, por enquanto, mais caros do que os carros a combustão. É possível adquirir um carro citadino a gasolina por 17 mil euros e um citadino elétrico andará acima dos 22 mil euros. Como veremos, mais à frente, o consumo de um elétrico pode ser pouco significativo se o carregamento for feito na empresa, ou em casa com o custo da

eletricidade habitacional, mas se for feito num “charger” de grande capacidade, caso de uma autoestrada, o preço pode triplicar. As manutenções são, por regras, mais baratas num elétrico do que num veículo a combustão ou mesmo num carro híbrido, pois este tem um motor a combustão. E, claro, a grande vantagem está na condução silenciosa e na isenção e algumas taxas e impostos. O abastecimento pode ser um problema para quem não o pode fazer em casa, pois os pontos de carregamento podem estar sobrelotados, sobretudo os de carregamento rápido nos hipermercados, enquanto abastecer a gasolina é simples. Mas, talvez a maior vantagem dos veículos a combustão versus os elétricos e eletrificados esteja no valor de revenda futuro, já que o valor dos elétricos ainda está algo indefinido, tendo em conta a nova geração de baterias que faz com que os primeiros veículos elétricos possam rapidamente entrar numa fase que obrigue a carregar com frequência devido à reduzida autonomia.

Todos estes são conceitos que iremos descomplicar para que exista uma decisão consciente e económica, sendo que há um ponto indiscutível: as atuais soluções de motorização não serão as definitivas. Irão aparecer outras soluções mais amigas do ambiente, mais práticas e mais baratas.

Mas vamos analisar o que temos e as várias opções. Comprar um carro elétrico ou a combustão depende daquilo que se quer fazer com ele. Se for para o transporte dos filhos, o trajeto casa-trabalho e vice-versa, ou para deslocações curtas, o ideal é o carro elétrico a 100% e isto porque consome pouco, sobretudo se o carregamento for feito em casa, a manutenção é pouco dispendiosa, incluindo pneus que irão suportar um peso pequeno da bateria para distâncias que não ultrapassem os 300 km. E mais. É possível que o carregamento apenas tenha de ser feito de semana a semana, o que manifestamente irá custar pouco mais de 20 euros num carregador público e menos de metade disso num carregador doméstico. Recomendamos seguir o site da UVE – Associação dos Utilizadores de Veículos Elétricos.

Entretanto, se o objetivo for distâncias curtas durante a semana e uns passeios até ao norte ou ao sul do país, a opção deve ser a um veículo eletrificado, ou seja, um veículo com um motor a gasolina e uma bateria com capacidade para 80 km a 120 km para as deslocações curtas da semana. O carregamento pode ser feito numa estação para o caso de o veículo ser um plug-in, ou pode gerar energia com um motor a combustão e será um híbrido, mas sem necessidade de ir a um carregador. Aqui a solução é a melhor dos dois mundos, pois tem uma bateria para um consumo económico, silencioso e sem poluição e um motor a gasolina (também há soluções a gasóleo, mas residuais) para distâncias de centenas de quilómetros e com a facilidade de atestar o depósito em qualquer local. Temos ainda a solução da opção de um motor a gasolina que, essencialmente, tem a vantagem de sair mais barato na compra e no seguro do que o motor elétrico. No entanto, com a subida do preço dos destilados, a opção gasolina está a ficar muito mais cara do que a opção eletricidade. Claro que a eletricidade em carregadores rápidos e ultrarrápidos, como existem nas autoestradas e em alguns locais das grandes cidades, tem um custo elevado, mas, ainda assim, ficará mais barato do que a gasolina. A opção por gasóleo está a cair em desuso, exceto para viaturas ligeiras comerciais que fazem muito quilómetros diariamente. Tem custos de manutenção mais baixos do que o motor a gasolina, mas tem emissões muito fortes e que em algumas cidades europeias impedem a circulação deste tipo de veículos.

TCO e manutenção

A ter em conta para quem vai comprar o seu primeiro carro que a par dos custos de compra, do consumo e da autonomia, há outros fatores a considerar, nomeadamente o TCO, ou seja, os custos totais de manutenção do veículo, e o valor de revenda, que, por enquanto, é pior no caso dos elétricos devido ao desgaste das baterias. Refere um trabalho da locadora

automóvel Ayvens que os veículos elétricos tendem a desvalorizar mais do que os veículos de combustão interna. E isto porque o desenvolvimento tecnológico dos veículos elétricos está a acelerar, o que significa que todos os anos sairão novidades que deixam obsoletas as versões anteriores. A manutenção dos propulsores elétricos e respetivos custos é inferior nos elétricos, tanto mais que estes veículos têm menos peças móveis do que os carros a combustão.

Os pneus dos elétricos são diferentes e mais resistentes do que os dos carros convencionais, pelo facto de terem de suportar o peso da bateria que pode atingir algumas centenas de quilos. E daí ser recomendado que o proprietário do veículo eletrificado, com bateria e motor a combustão, use sempre a bateria, sob pena de estar a pagar desgaste de pneus e desperdício de energia sem usar a motricidade elétrica. Os seguros dos automóveis elétricos são, em média, 12% mais caros do que os veículos a combustão, refletindo essencialmente o preço de compra do veículo, cujo preço é mais elevado.

Muito trânsito automóvel e consumo de combustíveis.
Finanças Pessoais – Como investir de forma inteligente no mercado financeiro

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