Finanças Pessoais. Por que razão o dinheiro não chega ao final do mês
D.R.

Finanças Pessoais. Por que razão o dinheiro não chega ao final do mês

Entre a subida dos bens essenciais e o peso das prestações ao banco, a margem do orçamento doméstico mensal desapareceu. Saiba como renegociar despesas fixas, consolidar créditos e manter uma taxa de esforço sustentável.
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O dinheiro não chega ao final do mês! Esta é a realidade recorrente nas famílias portuguesas que têm grandes dificuldades em pagar as contas ao longo dos 30 dias, e ainda ter capacidade para comprar os alimentos. Começam por imputar a culpa à inflação, que parece galopante nos produtos alimentares, embora a inflação oficial se situe nos 3,6% (dados de setembro, do INE). A inflação é a perda de valor do dinheiro, a erosão do poder de compra e isso sente-se mais em produtos alimentares do que na conta da água ou da luz.

Só que, possivelmente, o problema não é tanto da inflação - algo que as negociações salariais de alguns setores de atividade tentam mitigar com aumentos dos ordenados -, mas o facto de o dinheiro com que uma família contava simplesmente ter deixado de chegar.

Isto porque os preços aumentaram, os serviços necessários de água, luz, gás, telecomunicações também ficaram mais caros, mas os rendimentos não acompanharam e os cortes nos serviços não essenciais também não foram possíveis ou suficientes para compensar.

Nesta situação, o final do mês acaba a zero ou até negativo. E, se acaba negativo - ou seja, se a família gasta mais do que a receita mensal - entra o endividamento. E, para agravar a situação, alguns créditos deixam mesmo de ser pagos.

Antes de falarmos de soluções possíveis para mitigar a escassez de dinheiro no final do mês, precisamos de antecipar as situações, ou seja, ao primeiro sinal de que somos incapazes de cumprir as obrigações de pagamentos fixos e de ter uma reserva financeira para os imprevistos, devemos intervir. Entrar em incumprimento ou recorrer a mais crédito para pagar créditos já vencidos são as piores soluções.

Como mitigar despesa

Mitigar a despesa é criar condições para que se reduzam custos mensais, mas sem afetar dramaticamente a qualidade de vida da família. Geralmente a despesa mais relevante é o crédito à habitação e aqui a história complica-se porque dificilmente o banco que emprestou o dinheiro irá reduzir a taxa de juro contratada e o spread, que é o ganho do banco. A conversa com o gestor bancário poderá resumir-se a uma proposta de “empurrar com a barriga” o período de amortização e ficar a pagar apenas juros durante um ou dois anos, ou então manter tudo quase na mesma e negociar uma amortização mais alargada - fazer um novo contrato por mais anos, de forma a que a prestação mensal se enquadre na capacidade financeira mensal.

Só que, ainda aqui, surge um outro problema: o banco até pode aceitar, mas considerar que o custo do crédito terá de aumentar, porque aumentou o risco perante aquele cliente. E, na verdade, irá liquidar um valor de juro e amortização mais pequeno, fazendo com que o custo total do crédito, no final do prazo do empréstimo, seja bem superior.

Outra opção é querer proteger-se contra a volatilidade/oscilação das taxas de juro, e querer alterar a taxa de juro variável para uma taxa mista ou taxa fixa, em que fica protegido contra eventuais subidas de juros no crédito à habitação - mas isso irá sair mais caro todos os meses.

Outro crédito geralmente grande refere-se ao carro. Aqui as prestações são elevadas não apenas porque o bem é caro, mas porque os prazos são mais curtos. Dificilmente haverá uma negociação com o banco ligado ao crédito ao consumo. A solução será tentar a consolidação de créditos com o da habitação e eventualmente a de outros créditos ao consumo e cartão de crédito para, através de um prazo alargado, conseguir um valor mensal enquadrado nos rendimentos.

E onde encolher mais? As despesas fixas mensais permitem poupar algumas dezenas de euros com a negociação de contratos com operadores, como é o caso de telecomunicações onde as propostas de operadores low-cost saem bem mais baratas do que as operadoras tradicionais.

Na eletricidade e gás é ainda possível ir procurar um operador que forneça um serviço um pouco mais barato.

Para despesas fixas, mas não mensais, caso dos seguros de saúde ou automóvel, a solução é procurar uma oferta com menos funcionalidades, mas mais barata, ou então fasear mais os pagamentos, para que não apareça, de forma abrupta, a conta anual ou semestral.

Outra obrigação relevante refere-se ao fisco, nomeadamente ao IMI, o imposto sobre a habitação própria que o Estado já definiu a possibilidade de ser pago em tranches. Mas há outras despesas que é necessário contar, como seja o imposto de circulação da viatura própria (IUC), a manutenção do veículo ou as obras extraordinárias do condomínio. E aqui surge a necessidade da “almofada” financeira.

Planeamento

Até onde se pode considerar um endividamento como saudável? A resposta depende de caso para caso e se há situações onde não é de todo conveniente endividar-se, também há casos onde o endividamento é possível, bastando respeitar o equilíbrio entre cumprir as obrigações com as despesas e gerar poupanças com objetivos futuros.

Se em termos regulamentares a taxa de esforço não deve ultrapassar os 45% quando estamos perante endividamento de casa, carro, cartão de crédito e outros créditos, também é verdade que quando se aloca metade do rendimento a pagar crédito fica-se com pouca margem para todas as despesas mensais, incluindo alimentação, vestuário, escolas, saúde e imprevistos.

Claro que o crédito é bem-vindo quando se destina a fazer a compra de uma habitação que, de outra forma, levaria dezenas de anos até se conseguir a poupança necessária para a aquisição - e até são interessantes produtos com cashback, como um cartão de crédito, que sendo pago dentro do período sem juros, ainda devolve dinheiro. Ou seja, o endividamento saudável é aquele que nos permite realizar sonhos, desde que não comprometa o futuro.

*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo Dinheiro Vivo com total independência editorial. Conheça as regras do DN/DV relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros em www.dinheirovivo.pt

*Esta secção tem o patrocínio do Credibom. Os textos são produzidos pelo Dinheiro Vivo com total independência editorial. Conheça as regras do DN relativas à elaboração de reportagens sobre produtos financeiros.

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Finanças Pessoais. Gestão saudável da dívida e imprevistos
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