Financiamento do Estado recua para 5 mil milhões de euros negativos até abril

Trata-se do quarto mês consecutivo em que as administrações públicas apresentam financiamento negativo. Valor compara com os 1,7 mil milhões de euros registados em abril do ano passado.
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O financiamento das administrações públicas apresentou um valor negativo de cinco mil milhões de euros nos primeiros quatro meses do ano, que comparam com os 1,7 mil milhões de euros registados no período homólogo, revelou esta quinta-feira o Banco de Portugal (BdP).

A entidade liderada por Mário Centeno explica que "um financiamento líquido negativo indica que as aquisições líquidas de ativos financeiros pelas administrações públicas foram superiores às emissões deduzidas de amortizações dos passivos, ou seja, as administrações públicas utilizaram parte dos fundos obtidos para financiarem outros setores da economia".

No mês de abril, o financiamento concedido às administrações públicas pelos bancos e pelo exterior foi negativo, em 8,3 mil milhões de euros e em 5,2 mil milhões de euros, respetivamente.

Em contrapartida, as famílias financiaram as administrações públicas em 8,5 mil milhões de euros, "sobretudo através da aquisição de Certificados de Aforro e do Tesouro", nota o BdP.

Por instrumento, verifica-se que o financiamento através de emissões líquidas de títulos foi negativo em 3,4 mil milhões de euros e o financiamento através de empréstimos deduzidos de depósitos foi negativo em 1,5 mil milhões.

Olhando para dados do banco central, referentes à dívida direta do Estado sob a forma de Certificados de Aforro, vemos que a subscrição deste produto aumentou exponencialmente no espaço de um ano.

Considerando o mês em análise, o aumento foi de quase 140%: enquanto em abril de 2022 as famílias tinham praticamente 12,7 mil milhões de euros aplicados nestes títulos de dívida pública, no quarto mês de 2023 o montante em questão mais que duplicou para 30,3 mil milhões.

As últimas estatísticas do Banco de Portugal mostram que a tendência ascendente manteve-se também em maio, com um crescimento homólogo de 155% e as poupanças nos Certificados de Aforro a totalizarem 32,5 mil milhões de euros.

Entre abril e maio de 2023, os portugueses continuaram a apostar neste produto, tendo aplicado mais 2,2 mil milhões de euros.

De recordar que esta foi a última quantia a entrar na Série E, cuja remuneração-base é de 3,5%, uma vez que o Governo decidiu suspender a subscrição do produto e lançar a Série F, com um juro mais baixo de 2,5% e uma maturidade mais longa.

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