Fixando: "Temos margem para crescer 10 a 20 vezes"

Plataforma de contratação de serviços conta com 50 mil especialistas agregados. Em 2022 teve 266 mil utilizadores e conseguiu crescer 80% relativamente a 2020 e 2021.
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Surgiu na internet em 2017 para ajudar os portugueses a contratar profissionais que prestassem serviços específicos, como arranjar um cano ou tratar de um assunto que necessite de um advogado.

Atualmente, a Fixando já abrange mil categorias, integradas em nove grandes áreas, cresceu entre 60% a 100% ao ano desde a sua fundação e tem 50 mil especialistas (profissionais) agregados. Só em 2022 contou com a visita de 166 mil utilizadores e conseguiu um crescimento de cerca de 80% face a 2020 e 2021.

No entanto, e apesar da quantidade de profissionais que já colaboram com a Fixando, por vezes, faltam especialistas em determinadas alturas do ano e regiões, revelou ao Dinheiro Vivo, Miguel Mascarenhas, um dos fundadores da plataforma. "Durante o verão notamos muita falta em tudo o que seja hotéis para animais e pet sitters, por vezes também a nível da contabilidade, quando estão a acabar prazos e os clientes querem submeter relatórios e não há pessoas suficientes".

É no verão - quando é preciso tratar das instalações de climatização e de piscinas - que mais se nota a falta de profissionais. Assim como na limpeza de terrenos, onde a procura aumenta quando, nas notícias, se começa a falar das multas.

Depois, em dezembro, a urgência mais premente é de pais natais, cuja procura aumenta sempre que a época natalícia se aproxima. Só em 2022 a procura por pais natais para eventos e festas cresceu 20%, face ao mesmo período de 2021 e cerca de 83% dos pedidos registados este ano não conseguiram resposta, conforme revelou a Fixando na altura.

Não obstante os números que a Fixando conseguiu nestes seis anos, Miguel Mascarenhas diz que ainda há muito espaço de crescimento. E isto porque considera que os portugueses ainda não conhecem suficientemente estas plataformas. E aqui é que reside o desafio.

"Se olharmos para a quantidade de portugueses que olharam a Fixando em 2022 versus o potencial, ainda temos uma margem de manobra para crescer de dez a 20 vezes", declara, acrescentando que os dados indicam que quem experimentou a Fixando e recebeu propostas, gostou e voltou a recorrer. "Tendo também uma abrangência tão grande e áreas um pouco mais remotas, especialmente no interior, faz com que demore um pouco mais a acelerar esse crescimento."

Miguel Mascarenhas explica que o modelo de negócio da Fixando é extremamente simples e chega mesmo a compará-lo a um casamento por telemóvel. Ou seja: o especialista faz o seu perfil na Fixando, de forma gratuita, seleciona as categorias que quer, preenche o perfil que, após ser aprovado, pode ver todas as solicitações de clientes.

Depois, se vir algum pedido a que se queira candidatar ou fazer uma proposta, tem de comprar um pacote de créditos e através deles pode aceder a esse pedido.
Atualmente, os especialistas podem adquirir um pacote de nove créditos (que normalmente dá para duas ou três propostas) por 24 euros. "Na Fixando, o especialista tem a vantagem de poder ver o pedido e, até, se estiver numa altura de pico do negócio não precisa de usar a Fixando nem fazer qualquer tipo de pagamento. Quando precisar novamente volta a carregar", detalha Miguel Mascarenhas.

A ideia deste modelo surgiu como oposto aos contratos anuais com mensalidades fixas o que, especialmente para pequenas e médias empresas, pode ser muito puxado. "Usamos muito este modelo de negócio baseado nesse mesmo feedback. Até porque fomos olhando historicamente para a coisa, por exemplo, havia as Páginas Amarelas que tinham contratos anuais com valores enormes e as pessoas fugiam disso. Nós queríamos uma coisa mais flexível."

Outra vantagem do serviço da Fixando é que os especialistas pagam apenas pelo primeiro contrato. Assim, se um cliente ficar fidelizado e voltar a fazer serviços não vai ter de pagar nada.

A diretora de Novos Negócios da plataforma, Alice Nunes, garante que a Fixando quer funcionar mais como parceiro dos especialistas e ajudá-los a crescer o seu negócio do que propriamente andar a cobrar comissões. "Acreditamos que devem ser independentes e que eles é que sabem o preço que cobram e a forma como querem trabalhar", reforça.

Miguel Mascarenhas diz ainda que, em questões de faturação, a Fixando apresenta níveis "bastante baixos", mas "de forma quase estratégica e propositada, porque sabemos que temos de implementar o produto e não podemos ainda ambicionar grande faturação".

E esclarece que em 2020/2021 o valor rondou os 500 mil euros, o que comparado com a "atividade que temos é um valor baixo, no entanto, queremos crescer muito mais", considera. E afirma que "enquanto esse crescimento não se verificar, não estamos focados na parte da faturação".

Para este ano, a projeção de crescimento é um pouco superior ao que a Fixando teve de 2021 para 2022.
Mudar de estratégia em algumas áreas também é uma tarefa para 2023, diz Alice Nunes. Para a área dos animais, por exemplo, é necessário captar mais especialistas, uma vez que é um segmento que está em franca expansão.

Assim como a organização de eventos, em que a procura está a crescer, mas cujos especialistas diminuíram, muito por causa da pandemia. "A nossa perspetiva para este ano é crescer, duplicar o nível de especialistas e de propostas enviadas e tentar dar alguma energia a categorias que ainda não recuperaram a 100% da pandemia", reforça a diretora de Novos Negócios da empresa.

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