A crise que se abateu sobre as economias no ano passado continuará a deprimir o crescimento em 2023, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI), no novo panorama económico mundial (World Economic Outlook), divulgado esta terça-feira.
O crescimento da economia mundial foi revisto em baixa (face ao outlook intercalar de janeiro), para 2,8%.
Neste conjunto, destaca-se um atraso mais grave no caso da Europa e da zona euro face à maior potência global, os Estados Unidos.
A zona euro deve crescer 0,8% este ano, metade do avanço previsto para os Estados Unidos (1,6%), projeta agora o FMI.
Alemanha e Reino Unido em recessão em 2023
"O abrandamento económico deste ano concentra-se nas economias avançadas, especialmente na zona euro e no Reino Unido, país onde se espera que a economia desça para 0,8% e -0,3% este ano antes de recuperar para 1,4% e 1% respetivamente", diz a instituição sediada em Washington.
O crescimento da zona euro deve ser especialmente arrastado pelo desempenho pobre da maior economia da região, a Alemanha, que segundo o FMI vai recuar 0,1% este ano. França e Itália ajudam pouco, com o Fundo a prever uma expansão de apenas 0,7%.
Na Europa, o Reino Unido apresentará a pior prestação (no conjunto dos principais países): uma recessão de 0,3%, segundo o FMI.
Em contrapartida, "apesar de uma revisão em baixa de 0,5 pontos percentuais, muitas economias emergentes e em desenvolvimento estão a recuperar, com o crescimento a acelerar para 4,5% em 2023 face a 2,8% em 2022", segundo as novas projeções do Fundo.
Entre os gigantes, a China deve crescer 5,2% este ano, o que, ainda assim, fica abaixo da média histórica dos últimos anos.
A Índia pode conseguir avançar 5,9%, perfilando-se como o país (na lista dos principais e importantes escolhida pelo FMI) como o campeão de crescimento em 2023.
Em todo o caso, a China acelera face a 2022 (terá crescido 3% no ano passado). A Índia abranda porque em 2022 logrou uma expansão na ordem dos 6,8%, diz o FMI.
"A recente instabilidade bancária recorda-nos, no entanto, que a situação continua frágil. Mais uma vez, os riscos de queda na atividade dominam e o nevoeiro em torno das perspetivas económicas mundiais tornou-se mais denso", observou Pierre-Olivier Gourinchas, o economista-chefe do FMI, na apresentação deste novo outlook.
"Primeiro, a inflação é muito mais rígida do que o previsto, mesmo há alguns meses atrás. Embora a inflação global tenha diminuído, isso reflete sobretudo a acentuada inversão dos preços da energia e dos alimentos", refere o alto responsável.
Mas "a recuperação gradual da economia global, tanto da pandemia como da invasão russa da Ucrânia, continua". "A economia chinesa está a reabrir e a recuperar fortemente", congratula-se o dirigente do FMI.
O economista-chefe sublinha ainda que "as ruturas das cadeias de abastecimento estão a voltar ao normal" e que as perturbações nos "mercados de energia e alimentos causadas pela guerra estão a recuar".
No entanto, "em simultâneo, o aperto massivo e sincronizado da política monetária por parte da maioria dos bancos centrais deverá começar a dar frutos, com a inflação a recuar para os valores que foram estabelecidos como metas [pelos próprios bancos centrais]".
No entanto, isto vem com uma fatura pesada: empurra muitas economias (empresas, famílias e setor público) para uma situação de quase estagnação, nalguns casos já de recessão (veja-se o caso da Alemanha), um problema que afeta sobretudo as mais avançadas e mais dependentes do crédito.