No relatório em que apresenta as mais recentes previsões para a economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que a economia portuguesa está entre as que correm riscos elevados de uma crise financeira gerada a partir do mercado imobiliário, dá conta o Público esta quarta-feira.
O nível de endividamento das famílias e a prevalência de empréstimos a taxas variáveis são, num cenário de subidas de taxas de juro bruscas por parte do BCE, as principais razões para a vulnerabilidade do país. Para os técnicos do FMI, há um risco para o sistema financeiro, que pode resultar do efeito que a subida das taxas de juro pode ter no mercado imobiliário. Nesse cenário, antecipam-se custos de financiamento a disparar, o recurso ao crédito para comprar casas a cair, fazendo cair a procura no mercado imobiliário, e, consequentemente, o nível do crédito malparado a aumentar. Assim, e com os preços dos imóveis a recuar nesse caso, aumentam os riscos da banca sofrer perdas avultadas.
O grau de proabilidade disso acontecer, no entanto, depende da situação que cada país atravessa. "Economias com preços elevados das casas e altos níveis de endividamento das famílias com taxas de juro variáveis são particularmente vulneráveis a um consequente stress no setor financeiro", alerta o FMI. Ora, Portugal é o oitavo país (em 27) em que é detectado um maior risco proveniente do mercado imobiliário.