Formação e requalificação: pensar a academia do futuro

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O mundo está a mudar muito rapidamente, a uma velocidade que torna difícil antecipar como viveremos no final da década de 2020. Mas uma coisa é certa: todas as áreas da sociedade - e as instituições de ensino superior em particular - vão ter de se adaptar a novos contextos, onde requalificação profissional ou formação contínua (ao longo da vida) serão o novo normal. E os públicos-alvo das universidades e politécnicos deixarão, tendencialmente, de ser apenas os jovens.

Com a ascensão da Inteligência Artificial, uma parte relevante dos atuais empregos vai acabar, sendo substituída por outros ofícios (alguns que já conhecemos, outros que nem imaginamos). Isso coloca-nos perante o desafio tremendo de tentar vislumbrar quais serão as necessidades do mercado de trabalho, numa tarefa em que nunca seremos bem-sucedidos se ficarmos fechados nos nossos gabinetes.

As instituições de ensino superior não podem viver fechadas sobre si: têm de olhar para os territórios que as rodeiam e aproximar-se das pessoas e instituições (autarquias, comunidades intermunicipais, empresas, clusters competitivos, associações industriais, ordens profissionais...) e dar-lhes as ferramentas e o conhecimento de que precisam. Temos de cooperar e de nos capacitar juntos e a vários níveis.

Esta é a lógica do projeto Living the Future Academy, que a Universidade de Coimbra lidera e que se iniciou recentemente, após ter recebido um financiamento de 16,5 milhões de euros, no âmbito dos programas "Impulso Jovens STEAM" e "Incentivo Adultos" do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Mas se vos falo dele não é por vaidade do projeto ambicioso e disruptivo que criámos, conjuntamente com Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, os Politécnicos da Guarda e de Viseu e a Universidade dos Açores, a que se juntaram mais de 300 parceiros. É mesmo por acreditar que esse é o caminho.

A academia do futuro passa pela adaptação contínua da formação (numa lógica adequada às especificidades de territórios e organizações), pela garantia de uma maior capacitação do tecido socioeconómico (sobretudo em regiões de baixa densidade), pela viabilização das dinâmicas de empregabilidade de novos licenciados e profissionais requalificados, e, sobretudo, pela promoção de uma estreita articulação entre as instituições de ensino superior e potenciais empregadores ou criadores de políticas públicas.

Temos que estar juntos. Unidos somos mais fortes.

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