França vende navios de guerra à Rússia em plena crise na Ucrânia

A França prepara-se para vender dois navios de guerra à Rússia em plena crise no leste da Ucrânia. Depois da região da Crimeia ter sido anexada pela Rússia, a Ucrânia continua a viver dias de tensão e a hipótese de eclodir uma guerra civil não está totalmente afastada.
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O contrato vale 1,2 mil milhões de euros no total e inclui o treino de mais de 400 marinheiros, que vão rumar a França ainda este mês para receber instrução, segundo conta o Wall Street Journal.

A venda dos dois navios vai ser um dos temas quentes dos encontros entre o presidente francês e os seus homólogos norte-americano e russo.

François Hollande vai receber, em separado, Barack Obama e Vladimir Putin, no âmbito das comemorações oficiais dos 70 anos do desembarque dos aliados na Normandia, França, na segunda guerra mundial.

Dificilmente o governo francês vai recuar nesta venda, dizem as fontes consultadas pelo WSJ. Por um lado, a construção dos navios está a revitalizar os estaleiros de Saint-Nazaire, ou seja, são importantes para combater o desemprego na região.

Por outro, os custos de reembolsar o Estado russo pelo recuo no contrato são muito elevados. E mais: colocaria em risco futuros contratos militares que valem muito dinheiro e postos de trabalho, num momento em que o país tem uma taxa de desemprego de 10% e tem um crescimento anímico.

Um membro da Casa Branca considera que "esta não é a altura certa para este tipo de transações", depois de Barack Obama ter acusado a Rússia de usar "tácticas sombrias"para desestabilizar a Ucrânia.

A construção do primeiro navio já foi finalizada e, depois da

terminarem a instrução, os marinheiros russos vão levar o navio para a

Rússia, o que deverá vir a ter lugar no outono.

A entrega do segundo navio irá acontecer no próximo ano, conforme

planeado. Este navio tem, curiosamente, o nome de Sebastopol, o nome do

porto na região da Crimeia, onde se encontra a sede da esquadra naval

russa do Mar Negro.

Sarkozy vendeu navios a Medvedev

A estória da venda dos Mistral remonta a 2008, quando a Rússia interveio na Geórgia, nas regiões da Ossétia e daAbecázia do Sul. Na altura, o Almirante russo Vladimir Vysotkiy queixou-se da falta de navios de assalto anfíbio na sua esquadra.

Isto permitiria à Rússia, eventualmente, desembarcar no litoral do Mar Negro na Geórgia, de forma a melhor controlar a invasão, mas sem este tipo de navios à sua disposição os russos não puderam efetuar esta manobra.

Em outubro de 2008, o então presidente francês Nicolas Sarkozy reúne-se com o então presidente russo. No encontro, convenceu Dmitri Medvedev a adquirir os navios de assalto anfíbio.

Mais tarde, o presidente georgiano rumou a Paris para protestar contra a venda dos navios. Os argumentos não convenceram Sarkozy, que considerava não haver risco de invasão do país porque os russos já se encontravam na Geórgia.

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