Francois Kasselmann: "Há cavalos que foram vendidos por mais de 10 milhões de euros"

Criador e descendente de uma família de criadores equestres na Alemanha, foi orador convidado no Horse Economic Forum e explicou que, para ter retorno do investimento no mercado equestre, é preferível comprar vários potros. "Se um deles se tornar muito bom, está a pagar o resto", garante.
Publicado a

É um mercado que move 100 mil milhões de euros na Europa e um tem milhares de aficionados. Falamos da economia do cavalo, que, até este sábado, esteve em debate em Alter do Chão, no Horse Economic Forum - o primeiro evento do género organizado em Portugal, cujo objetivo é contribuir para a promoção e inovação deste setor.

Um dos oradores convidados para o evento foi Francois Kasselmann, criador e descendente de uma família de criadores equestres na Alemanha.

Francois Kasselmann deslocou-se a Alter do Chão para explicar o porquê de se investir em cavalos. "Vivemos num mercado realmente global. Mesmo que a economia não esteja bem nalguns países, ou que a taxa de juro seja muito elevada, ainda assim os cavalos podem ser bem aproveitados", declarou, em conversa com o Dinheiro Vivo, revelando que há cavalos que foram comercializados por "mais de 10 milhões de euros".

O especialista, que não conhece a fundo o mercado equestre nacional, explicou, no entanto, que investir em cavalos pode ser equiparado ao investimento em bolsa. "Se estiver a investir no mercado de ações, e se comprar apenas uma, não é bom. Se comprar muitas ações, a segurança é muito maior. O mesmo se passa com os cavalos. Se só tivermos um cavalo onde tentamos investir, tudo pode correr muito bem ou muito mal. Se comprar apenas um potro, a perspetiva futura é de muito risco. Mas se investir em dez a 15 potros - é certamente um investimento caro ao longo dos anos - mas se um deles se tornar muito bom, está a pagar o resto", garantiu, alertando que é necessário toda uma equipa para bem cuidar dos animais.

De Portugal, Francois Kasselmann conhece as touradas e os cavalos lusitanos. Sabe também que o nosso país tem uma equipa que, pelo que já demonstrou, tem excelentes hipóteses de fazer parte dos Jogos Olímpicos de Paris e de conseguir uma ótima prestação. O criador revelou ainda que a sua empresa está a treinar e a preparar para o campeonato europeu uma atleta portuguesa da coudelaria lusa Campline.

Mas apesar de apenas se ter deslocado ao nosso país para participar no Horse Economic Fórum, François Kasselmann não descarta a hipótese de iniciar algum negócio. "Se formos a algum lado conhecemos pessoas e falamos sobre o que pode acontecer ou não acontecer. Esse não é o objetivo da minha vinda, mas não me importo que alguém me pergunte se podemos investir, talvez juntos ou assim", considerou.

Recorde-se que na sexta-feira, o primeiro do Horse Economic Forum, foi divulgado o estudo "Anuário do Cavalo", que estima que o valor da economia equestre no nosso país seja de 25 milhões de euros, que se referem à componente do desporto equestre.

Ao todo, existem 100 mil cavalos em Portugal divididos entre três raças: o Puro-Sangue Lusitano, o Garrano e Sorraia. Estima-se que existam 29 mil explorações e, inscritos na Federação Equestre Portuguesa estão mais de mil treinadores. No ano passado registaram-se perto de 500 competições desportivas e mais de oito mil atletas federados.

Já o turismo equestre continua a atrair cada vez mais visitantes (nacionais e estrangeiros), sendo que os passeios a cavalo representam 96% dos serviços disponibilizados pelos agentes de turismo e os passeios a charrete 28%.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt