O supercomputador Deucalion, que se localiza no Campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, vai receber 7,3 milhões de euros do Fundo Ambiental, de acordo com uma resolução do Conselho de Ministros publicada esta quarta-feira em Diário da República.
A resolução assinada pelo primeiro-ministro, António Costa, autoriza o Fundo Ambiental a "realizar as despesas com o projeto Sustainable HPC - Supercomputador Deucalion, no período de 2023 a 2025, no montante global de 7.274.233,50 euros, valor ao qual não acresce o imposto de valor acrescentado [IVA] por se tratar de um apoio financeiro".
A mesma resolução específica que o Fundo Ambiental pode transferir para o projeto 5,5 milhões de euros em 2023, 1,5 milhões de euros em 2024 e quase 275 mil euros em 2025. Não obstante, estes montantes máximos podem "ser acrescidos do saldo que se apurar na execução orçamental dos anos anteriores".
O financiamento que o Fundo Ambiental assegura tem origem numa candidatura do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, em parceria com o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, ao Fundo de Apoio à Inovação e o Fundo de Eficiência Energética, aprovada em maio de 2021. No entanto, aqueles dois fundos foram extintos em dezembro de 2021, sendo o Fundo Ambiental o sucessor de ambos e, por isso, é o Fundo Ambiental o garante da "tramitação legal dos processos que se encontram em curso de anos anteriores".
O Deucalion foi inaugurado em setembro, mas só deverá entrar em pleno funcionamento em 2024. Trata-se de um computador de alto desempenho -capaz de executar 10 milhões de biliões de cálculos por segundo - que servirá a comunidade científica nacional. Está preparado para analisar problemas de modelação, numérica ou otimização de logística, bem como resolver cálculos nos domínios da Inteligência Artificial, alterações climáticas ou na criação de smart cities. Este supercomputador é o sucessor do Bob, outro supercomputador, instalado em Riba de Ave, mas que tem uma capacidade dez vezes inferior ao Deucalion.
De acordo com o Governo, o projeto em que se insere o supercomputador Deucalion visa "criar uma solução técnica que permita o funcionamento do supercomputador, com um consumo tendencialmente baseado exclusivamente em energia de origem renovável e localmente produzida, conduzindo a uma operação livre de carbono".
Para o executivo, estão em causa "formas inovadoras de computação verde de alto desempenho com elevado grau de sustentabilidade ambiental, através da instalação do supercomputador Deucalion e a criação de uma comunidade de energia sustentável, com o objetivo de maximizar a utilização de fontes renováveis de energia na operação desse supercomputador".
Por isso, a resolução do Conselho de Ministros realça que este projeto "pode tornar-se num caso de estudo de referência mundial no âmbito da supercomputação, capaz de agregar a possibilidade de recurso tendencialmente exclusivo a fontes renováveis de energia e simultaneamente aproveitar energeticamente o excedente de calor resultante para utilização comunitária".