Fundo de pensões do Canadá diz não querer mudar conselho da Oi

O empresário Nelson Tanure quer mudar o conselho de administração da Oi, mas talvez já não conte com apoio do fundo de pensões canadiano.
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O fundo de pensões Ontario Teacher's Pension Plan vendeu praticamente a totalidade dos 4,84% que até 16 de junho detinha na Oi e não quer participar em nenhuma ação para a afastar os membros do conselho de administração da operadora nomeados pela Pharol, com 27,2% a sua principal acionista, noticia a Valor Econômico.

A posição pode significar um revés para as intenções da Bridge que solicitou a convocação de uma assembleia geral extraordinária para destituir 5 administradores de um total de 11. Todos eleitos pela portuguesa Pharol. A Bridge tem 6,64% da Oi.

"Nós praticamente vendemos toda a nossa posição ao longo do mês passado", disse Deborah Allan, vice-presidente de comunicação do fundo de pensões canadiano. "Como recentemente vendemos a nossa posição na Oi, não vamos tomar parte em qualquer ação para mudar a composição do conselho de administração da empresa", acrescenta citada pela Valor Econômico. A imprensa brasileira noticiou um eventual alinhamento do fundo de pensões com a Bridge de Zeca Oliveira.

Com o antigo gestor do BNY Mellon no Brasil está o empresário Nelson Tanure, que tem cerca de 19% na PetroRio (ex-HRT), noticia a Valor Econômico. De acordo com a publicação brasileira, que ouviu uma fonte próxima do empresário, o fundo de pensões canadiano teria passado a sua posição na Oi ao fundo norte-americano Point State. "Ontario Teacher's Pension Plan repassou 4,8% das ações [ordinárias da Oi] ao Point Sale, do qual ele é o principal cotista", adiantou fonte próxima de Nelson Tanure à Valor Económico.

Com Tanure estaria igualmente o fundo norte-americano Discovery Capital, que teve uma intervenção na compra da participação de Tanure na petrolífera PetroRio. O empresário, apesar de minoritário, assumiu o controlo da companhia por meio de uma composição com outros acionistas, que lhe asseguraram o controlo.

O empresário teria há três meses conversado com detentores de dívida internacionais da Oi e em junho com representantes da Bell Canada sobre a possibilidade da operadora entrar no Brasil através de um investimento na Oi.

Nelson Tanure quer substituir o conselho de administração da Oi, afastando os 5 administradores nomeados pela Pharol, a sua maior acionista. Em seu lugar quer colocar pessoas da sua confiança. Entre os nomes propostos estão o de Helio Costa (ex-ministro das Telecomunicações) e Pedro Grossi (ex-assessor do Ministério da Fazenda), ambos fazem parte do conselho de administração da petrolífera PetroRio.

No Brasil Nelson Tanure é conhecido por comprador de empresas empresas numa situação difícil. A sua entrada na petrolífera, por exemplo, ocorreu num momento em que a companhia deslizava em Bolsa depois de não encontrado petróleo em zonas promissoras no Brasil e Namíbia. Tanure comprou 19% e trocou o conselho de administração. O seu negócio melhor sucedido foi a venda em 2009 da Intelig à TIM Brasil, mas no seu percurso estão ainda negócios como a compra dos jornais Gazeta Mercantil ou Jornal do Brasil, títulos que já saíram de circulação.

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