Fusão da Zon com a Optimus começou a ser negociada em 2007

Publicado a

É o fim de um processo que arrancou há sete anos com os

primeiros contactos entre Isabel dos Santos e Paulo Azevedo: esta segunda-feira, a Autoridade da Concorrência dará finalmente luz

verde à fusão entre a Zon e a Optimus. A união também fecha um

ciclo de sete anos para Paulo Azevedo, que em 2006 tentou expandir o

universo da Sonae com a OPA sobre a Portugal Telecom. A operação

não passou pelos acionistas, mas desse processo nasceu a Zon - ex-PT

Multimédia e liderada desde o início por Rodrigo Costa - fruto do

spinoff (separação) de operações que a Concorrência impôs à

Portugal Telecom.

Em 2008, as duas administrações, lideradas por Ângelo Paupério

e Rodrigo Costa, tentaram um novo entendimento, mas esbarraram na

blindagem dos estatutos, que limitavam os acionistas a votarem com

apenas 10% dos votos, independentemente da percentagem no capital.

Mas também foi nesse ano que se começou a desenhar a aproximação

de Isabel dos Santos à Zon, primeiro com uma parceria em Angola -

naquilo que seria a futura ZAP - depois com uma entrada efetiva no

capital. Em três anos, a empresária angolana foi reforçando até

chegar aos 28,8% do capital e abriu espaço para a proposta de fusão,

que aconteceria no final de 2012.

Nestes sete anos, e depois de perder o negócio de cabo para a

Zon, fruto do spinoff imposto pela Concorrência, a Portugal Telecom

continuou a ser líder de mercado nos telemóveis (com a TMN) e

apostou forte na fibra (primeiro com o pacote MEO, depois com o M4O)

para reforçar no mercado de televisão. Ao lado, a Zon focou-se na

televisão por cabo mas nunca conseguiu ganhar escala no mercado

móvel, enquanto a Optimus ficava reduzida aos seus clientes nos

telemóveis. Pelo meio, a Vodafone ainda chegou a mostrar interesse

numa eventual fusão com a Zon, que não teve o apoio da casa-mãe e

nunca avançou. António Carrapatoso saiu, entrou primeiro António

Coimbra e depois Mário Vaz [hoje CEO], mas a Vodafone preferiu

investir numa rede de fibra ótica, em parceria com a Optimus. A

manutenção desta rede foi, aliás, uma das exigências feitas pela

Autoridade da Concorrência nos remédios à fusão Zon/Optimus,

evitando que o mercado de televisão ficasse apenas com dois

operadores.

Um vale por quatro

O novo operador vai juntar as forças da Zon (líder na televisão

por cabo, mas sem um operador forte de telemóvel) à Optimus (que

tem muitos telemóveis, mas pouca expressão no mercado de televisão

e internet por fibra). Para já, as duas marcas vão continuar a

existir, mantendo-se separadas e mantendo a sua base de clientes, mas

isso não impedirá a Zon Optimus - o futuro nome da empresa - de

colocarem no mercado uma verdadeira oferta de quadruple play (4P),

que junta num só pacote televisão, web, móvel e telefone fixo.

Com isso tentarão colar os clientes da Zon (presente em 3,2

milhões de casas) aos utilizadores do universo Optimus (3,4 milhões

de pessoas têm um número 93), criando um concorrente de peso para a

Portugal Telecom, que hoje lidera em lucros. E tudo porque o futuro,

garantem as operadoras, está nas ofertas integradas, permitindo que

o consumidor use sempre a mesma empresa quando fala ao telefone,

navega na web ou vê televisão. Como os hábitos estão cada vez

mais cruzados - a web vale como televisão, os telefones passam

vídeo, a televisão inclui internet- a rentabilidade está, cada vez

mais, no tráfego de dados e cada vez menos nas chamadas e sms.

Em janeiro deste ano, o lançamento do pacote quadruple play da PT

antecipou esta tendência de concentração - o M4O cobra 69,9 euros

por TV, web, fixo e dois telemóveis - e a Zon, Optimus e Vodafone

foram rápidas a responder, lançando pacotes similares. O movimento

também é uma tentativa de travar a queda nas receitas, já que há

pouca margem para ganhar clientes no mercado clássico - telemóveis

e fixo - depois de as operadoras terem chegado a quase 100% da

população. No último ano, a recessão em Portugal também acentuou

a quebra de receitas das operadoras e um dos focos da nova parceria

Sonae/Isabel dos Santos é, naturalmente, Angola, onde a Zon já está

(via Zap) e onde a Sonae se prepara para abrir, nos próximos anos,

vários hipermercados Continente.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt