"Futuro de inovação, sustentabilidade e talento"
Destacar a capacidade de inovação em Portugal foi o tema da apresentação de Luís Rodrigues, diretor-executivo da Startup Braga, que no palco do Estúdio Time Out Mercado da Ribeira partilhou a visão e a garra dos que passam pela incubadora de criatividade que lidera. Através da InvestBraga, cabe-lhe apoiar projetos disruptivos e tendo contacto direto e diário com os agentes dessa mudança, Luís reconhece que o crescimento do empreendedorismo nacional está associado à "profunda crise económica mundial" do início da década passada, que permitiu a Portugal estar "13% acima da média europeia de startups per capita".
"O top 25 das startups criadas até 2015 revela-nos três dos atuais unicórnios portugueses", aponta, reforçando a importância de ajudar novas empresas a crescer.
Existem, contudo, desafios a superar para continuar a desenvolver o ecossistema de inovação em Portugal. Entre os principais, o empreendedor destaca "o sobreaquecimento do mercado de trabalho e a procura desenfreada por recém-licenciados", que estão a dificultar a contratação de talentos, em particular no setor das TIC.
Luís Rodrigues acredita, por isso, na adoção de medidas que permitam "suportar e alavancar as diferentes fases de desenvolvimento dos projetos inovadores", mas também que "permitam contrariar a fuga de recursos especializados" para o estrangeiro. Segurar a "geração mais qualificada de sempre", como tem repetido António Costa, é um dos objetivos transversais às propostas dos vários partidos políticos que se candidatam às próximas eleições legislativas. Como o fazem é que está por ver.
Para responder a este que é o grande desafio atual, acrescenta o empreendedor, será necessário reforçar a atratividade do território nacional para a captação de talentos internacionais e, sobretudo, de investimento estrangeiro. "Temos de ter a ambição de afirmar Portugal como startup nation", pede o gestor, que diz ser preciso aumentar o número de investidores nacionais "capazes de atuar nas várias fases de uma startup". Para lá chegar, será igualmente necessário "capacitar e profissionalizar a rede nacional de incubadoras", melhorando o apoio prestado às ideias promissoras.
"Mais de 42% das startups inquiridas num estudo recente revelaram que a pandemia gerou novas oportunidades alavancadas pela digitalização de processos, pela mudança de comportamentos e transformação de paradigmas", diz Luís Rodrigues, que olha para o contexto pandémico como uma janela de oportunidade para novos negócios. O desenvolvimento de soluções tecnológicas à base de inteligência artificial, machine learning ou Internet das Coisas (IoT), será, acredita, fundamental para ajudar à transformação digital da economia portuguesa. Por outro lado, o esforço nacional rumo à sustentabilidade poderá igualmente ser acelerado com apoio na inovação tecnológica.
