Galp cresce no negócio do petróleo e já gere seis poços

Publicado a

Evoluir no negócio da produção de petróleo e gás natural não passa apenas por descobrir mais crude, mas também por ter mais poder de decisão dentro dos consórcios que estão a explorar os poços. É isso que a Galp está a começar a fazer agora, ao assumir-se como operador dos blocos que está a perfurar, ou seja, está a ganhar mais controlo e a reforçar a capacidade estratégica.

"As empresas petrolíferas estão sempre em consórcio, mas só um é que pode ser operador, sendo que há vários patamares de operação: em terra, águas rasas, águas profundas e águas ultraprofundas. A Galp já é um operador estabelecido em terra e em águas rasas e o próximo passo serão as águas profundas e depois as ultraprofundas", explicou ao Dinheiro Vivo, o CEO da empresa, Manuel Ferreira de Oliveira.

Segundo a Galp, tornar-se operador é a evolução natural naquele que é hoje o seu principal negócio. O objetivo é ir ganhando mais competências nesta atividade, até porque ao ser líder consegue mitigar os riscos associados à exploração. Mas e não implica mais investimento? "Não não. Gasta-se o mesmo. Mesmíssimo", assegurou o presidente executivo da petrolífera.

A preocupação de Ferreira de Oliveira nesta procura para se tornarem operadores em cada vez mais poços de petróleo ou gás natural são as pessoas e é por isso que este é um passo que deve ser dado com calma. "A Galp está envolvida em 62 projetos de exploração e produção e não pode ser operador em todos. Se fosse não conseguia responder às solicitações de capital humano", diz.

Neste momento, a Galp está já como operador em seis explorações, sendo que quatro delas foram sendo angariadas ao longo do último ano - duas foram conseguidas no último mês.

Os primeiros trabalhos da empresa portuguesa como operador surgiram no Brasil, nos poços onshore (em terra) da bacia de Potiguar e de Sergipe Alagoas. Em ambos participam com 50% num consórcio com a brasileira Petrobras.

Seguiu-se depois, em 2012, a operação de Marrocos em oito poços de petróleo situados em águas rasas (inferiores a 200 metros de profundidade). Também aqui a Galp tem 50% do consórcio.

A estes três juntaram-se, este ano, mais dois poços no Brasil, onde a empresa portuguesa é igualmente líder mesmo participando com 50% no consórcio que partilha com a Petrobras. Os dois poços ficam situados no onshore na Bacia do Parnaíba e as licenças que permitem começar a explorá-los foram ganhas no mais recente leilão de licenças de petróleo organizado no Brasil.

O último projeto em que a Galp se assumiu como operadora foi mesmo em Portugal, nos poços de gás natural que está a explorar na zona de Aljubarrota, onde também tem 50% no consórcio com a Porto Energy. Contudo, Ferreira de Oliveira diz que esta decisão não tem a ver com a qualidade do poço. "Se não existissem nenhumas expectativas não estava no projeto, mas no nosso sector de produção de petróleo e gás as taxas de sucesso médias no mundo são de 20%, isto é, em cada cinco tentativas, uma é bem sucedida. É por isso que, nas expectativas, temos de ser sempre muito moderados", reparou.

Segundo a Galp, assumir-se como operador deste poço em Aljubarrota vai sim permitir à empresa planear melhor a estratégia de exploração de recursos e até alargar o seu raio de ação, pesquisando por fontes menos convencionais como, por exemplo, o gás xisto.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt