O grupo Generali, dono da Tranquilidade, comprou a seguradora norte-americana Liberty Seguros em Portugal, Espanha, Irlanda e Reino Unido e esse negócio representa "uma aposta de longuíssimo prazo" na Península Ibérica, em particular em Portugal, refere o CEO da seguradora em Portugal, Pedro Carvalho.
O negócio, em que o grupo Generali ultrapassou as propostas da alemã Allianz e da espanhola Catalana Occidente, foi anunciado nesta semana, com um valor de 2,3 mil milhões de euros. A concretização está ainda pendente de luz verde dos reguladores, mas representará o maior negócio de sempre na área de seguros na Península Ibérica, o maior do ano na Europa até à data.
Sendo uma área em que este tipo de transações não acontece facilmente, mesmo no que respeita ao negócio em Portugal, esta será uma das operações a marcar o ano. O processo foi lançado no final do ano passado pela Liberty e deverá ainda levar um ano a consolidar-se, uma vez que precisa da aprovação dos reguladores de todos os países envolvidos - EUA, Itália, Irlanda, Espanha e Portugal. Durante esse período, as companhias continuarão a trabalhar em paralelo, mas depois de finalizado o processo significará um ganho de valor significativo.
A presença da americana nesta região é marcada por uma forte rede de agentes, alguns partilhados com a Tranquilidade, pela proximidade com os clientes e uma equipa muito competente em áreas específicas de que a companhia portuguesa pode tirar partido. Além do negócio da rede, que tem a solidez de uma companhia presente em Portugal há 20 anos, a Liberty poderá significar para a Tranquilidade ganhos a rondar os 20% no atual negócio de seguros da portuguesa. E ainda acrescentará diversificação, através da rede de particulares, mas sobretudo com grande presença de PME que acrescentará valor ao portefólio da Tranquilidade.
Recorde-se que, na era Espírito Santo (grupo à qual pertencia a Tranquilidade), 80% do negócio da companhia era atribuído a grandes empresas, um retrato que a seguradora, agora da Generali, tem vindo a alterar e em que esta aquisição pode ser fundamental.
Na complementaridade das companhias - e não havendo grandes redundâncias, confirmam fontes próximas do setor, uma vez que a Liberty já centralizara funções corporativas há três anos, quando fez a sua reorganização - pesa ainda o fator tecnológico. A americana tem apostado no desenvolvimento de áreas como o advanced analytics com Inteligência Artificial para identificar e quantificar o risco de clientes e apólices, estando bastante avançada nesses temas. Outra mais-valia são as fortes capacidades do sistema no direto, pela tecnologia usada na Génesis em Espanha, que pode ser alavancada.
Sem comentar o negócio ou os seus pressupostos e vantagens, Pedro Carvalho admite ao DN/Dinheiro Vivo que esta aquisição "permitirá à Tranquilidade aproximar-se mais da liderança". O que, aliás, já tinha sido notado no comunicado da operação, com a Generali a frisar que esta compra "consolida a posição da Tranquilidade como número 2 em Portugal" (a Fidelidade lidera). Assume ainda que a operação representa "um esforço e uma aposta grande na Península Ibérica, e em particular em Portugal". "É uma aposta de longuíssimo prazo no país, já que implicará investimento e não irá distribuir dinheiro a curto prazo", explica ainda o CEO.
Com o valor indicado de 2,3 mil milhões, a Generali terá de fazer um aumento de capital nas operações de Espanha e Portugal quando a operação estiver finalizada, para absorver os negócios e pessoas da Liberty nas seguradoras do grupo nesta geografia, o que implicará um investimento significativo.
"O grupo Generali está a adquirir uma sólida carteira de negócios em três mercados europeus em crescimento e muito atrativos, que vão gerar valor muito importante a longo prazo para todos os stakeholders", confirmou em comunicado o CEO da empresa, Philippe Donnet:"Com esta transação, o Grupo Generali posiciona-se cada vez mais como o parceiro para vida dos clientes na Europa".