Tal como a portuguesa TAP, a brasileira GOL está a ter dificuldades em repatriar dinheiro de bilhetes vendidos na Venezuela. E, como medida preventiva, informou esta terça-feira, que irá suspender temporariamente a sua operação para aquele país.
O anúncio, que está a ser avançado pelo Valor Econômico, já está a produzir efeitos esta terça-feira, tendo sido cancelado um voo que partia de Guarulhos, São Paulo, com destino a Caracas. Não se sabe até quando se irá verificar.
A companhia aérea brasileira reclama um total de 75 milhões de euros (351 milhões de reais) ao Governo de Caracas. O valor é, mesmo assim, inferior ao que Fernando Pinto, da TAP, estima ter retido naquele país - 90 milhões de euros, segundo adiantou recentemente ao diário Económico.
Porque está a acontecer este problema? O governo de Nicolas Maduro obriga a que a venda de bilhetes feita na Venezuela seja efetuada na moeda local e a uma taxa de câmbio oficial de 6,3 bolívares para cada dólar. O valor tem posteriormente de ser convertido e pago às companhias, mas as várias reuniões e apelos têm sido insuficientes para que aquele governo cumpra com os pagamentos.
A IATA estimava, em setembro do ano passado, que a Venezuela tivesse em dívida para com 24 companhias aéreas, num total de 3,4 mil milhões de euros. Uns meses antes, a organização dizia ao Dinheiro Vivo que as dívidas remontavam anos de 2012,2013 e 2014. Também, em meados do ano passado, não havia sido feito qualquer pagamento relativo a 2015.
A TAP nunca suspendeu a sua operação para a Venezuela, mas há cerca de ano e meio alterou a sua política de vendas para passar a aceitar apenas compras em bolívares para voos com saída da Venezuela. Esta alteração permitiu mitigar a dificuldade das conversões, mas mesmo assim não resolveu o problema.
Neste momento, a TAP terá cerca de 90 milhões de euros para reaver. O valor "destruiu o nosso resultado" em 2015, disse o presidente da companhia aérea recentemente.
O tráfego aéreo na Venezuela caiu 8,5% em 2014, face ao ano anterior. A IATA exigiu ao governo de Maduro reformas urgentes no setor dos transportes aéreos para evitar uma maior deterioração naquele mercado. Em outras economias da América Latina, o tráfego aéreo cresceu entre 2 a 12% naquele ano.