O presidente do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) pede que as organizações financeiras internacionais, como o FMI, trabalhem com os países africanos em desenvolvimento olhando às especificidades desses países.
No seu discurso na cerimónia oficial de abertura das reuniões anuais do Grupo BAD, Hassan Abdalla, juntou-se assim, num apelo mais alargado, ao pedido feito pelos ministros africanos para reformas do sistema de Direitos de Saque Especiais (SDR, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"É muito importante que as organizações financeiras internacionais trabalhem com base nas necessidades e especificidades dos países africanos", afirmou o presidente do Conselho de Governadores.
Ministros africanos das Finanças, do Planeamento e do Desenvolvimento Económico que participam nas reuniões consideram que as reformas desses instrumentos do FMI, que servem para completar as reservas oficiais dos países membros, ajudarão a fortalecer a segurança financeira global e a disponibilizar mais liquidez aos países em desenvolvimento, tendo lançado o apelo durante uma reunião de trabalho sobre a Arquitetura Financeira Global.
Hassan Abdalla lembrou que muitos países africanos enfrentam vários desafios, desde a subida da inflação, ao aumento dos défices orçamentais e também aumento da dívida.
Os empréstimos concessionais aos países em desenvolvimento são importantes "para a sustentabilidade e para conter as dívidas" dos Estados, mas "alcançar os objetivos vai depender da robustez das instituições", sublinhou.
Referindo-se também ao tema global das reuniões anuais deste ano, o Presidente do Conselho de Governadores do BAD lembrou que "das promessas de 30 mil milhões de dólares (cerca de 27,8 mil milhões de euros) para colmatar impactos das alterações climáticas o banco só recebeu 12% dessa importância".
"Mobilizar financiamento privado para o clima e crescimento da economia verde" de África é o tema global das reuniões deste ano e Hassan Abdalla lembrou aos participantes que para isso é também preciso "ser inovador nos instrumentos financeiros".
Os encontros anuais são o evento mais importante do BAD, que tem 54 Estados-membros africanos e 27 não africanos, e cerca de 4.000 pessoas participam das Reuniões de 2023 que decorrem até sexta-feira no Centro Internacional de Conferências de Sharm el Sheikh, no Egito.
*** A Lusa viajou a convite do Banco Africano de Desenvolvimento ***