Governo: "Abastecimento de gás e petróleo está salvaguardado"

O Governo lembrou que em 2021 apenas 10% das importações de gás natural (GN) em Portugal foram provenientes da Rússia, "pelo que não se antevê que uma potencial interrupção do fornecimento" tenha efeitos. Mas preços já disparam. Putin diz que invasão era a "única forma".
Publicado a

O Governo disse hoje que está salvaguardado o abastecimento dos sistemas nacionais de gás e de petróleo, caso a Rússia corte o fornecimento à União Europeia, após invasão à Ucrânia e consequentes sanções internacionais a Moscovo.

"A garantia do abastecimento do Sistema Nacional de Gás e do Sistema Petrolífero Nacional estão salvaguardadas, merecendo e tendo, necessariamente, o acompanhamento próximo e constante pelo Governo e demais entidades competentes", lê-se numa nota enviada às redações pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

Ainda assim, Portugal será afetado pela escalada de preços da energia, que já começou. Após ter-se fixado nos 96,84 dólares na quarta-feira, dia 23 de fevereiro, o preço do barril atingiu hoje o pico de 102,48 dólares. O que terá efeitos em toda a cadeia de valor - da indústria ao agroalimentar, passando pelo custo de encher o depósito ou pelas contas de casa.

"Num conflito desta escala, ninguém fica a ganhar. No curto prazo, o maior impacto pode estar nos preços da energia, sobretudo do gás e do petróleo", assinalou Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros, ao Dinheiro Vivo. Também Paulo Rosa concorda, recordando que os russos fornecem 35% do gás natural à Europa e são um dos principais produtores mundiais de trigo. "Com o agravar da situação, poderemos ter menos trigo no mercado, o que acabará por afetar o preço do pão e dos cereais", receia o economista-sénior do Banco Carregosa.

O Governo lembrou que em 2021 apenas 10% das importações de gás natural (GN) em Portugal foram provenientes da Rússia, "pelo que não se antevê que uma potencial interrupção do fornecimento por parte da Rússia represente uma disrupção no fornecimento de GN a Portugal".

Segundo o ministério liderado por João Matos Fernandes, "existem diversos fornecedores que poderão representar uma alternativa segura e viável ao GN vindo da Rússia".

Adicionalmente, esclareceu a mesma nota, "Portugal dispõe de elevados níveis de armazenamento de GN (79,2% da capacidade total), que atualmente é dos valores mais elevados da Europa em termos percentuais".

No que diz respeito ao gás natural liquefeito (GNL), que entra em Portugal através do terminal de Sines, o executivo realçou que não foram registadas quaisquer falhas nas entregas programadas, nem alterações à calendarização de entregas para fevereiro e março.

Já quanto ao petróleo bruto (crude) e derivados, "não se anteveem problemas de abastecimento, dado que Portugal não importa crude da Rússia desde o ano 2020".

"Portugal dispõe de reservas estratégicas de crude e de combustíveis (gasolina, gasóleo e GPL), os quais, no caso dos combustíveis, são suficientes para garantir o consumo nacional durante 90 dias", rematou o Ministério do Ambiente.

A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que o ataque responde a um "pedido de ajuda das autoridades das repúblicas de Donetsk e Lugansk", no leste da Ucrânia, cuja independência reconheceu na segunda-feira, e visa a "desmilitarização e desnazificação" do país vizinho.

O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU.

Em 2021, cerca de 35% do gás natural importado para a União Europeia foi proveniente da Rússia.

Putin diz que invasão era "única forma"

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje que o seu país "não tinha outra maneira" de se defender a não ser lançar um ataque na Ucrânia, confirmando que o Exército russo está em processo de invasão daquele país vizinho.

"O que está a acontecer agora é uma medida coerciva. Porque não temos outra forma de fazer o contrário", disse Putin, durante uma reunião com empresários, em Moscovo, que foi difundida pelas estações televisivas.

A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas. Com Lusa

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt