O Estado vai precisar de mais 500 milhões de euros de financiamento líquido para pagar o défice e eventuais reforços de ajudas a empresas e outras entidades públicas (como o Fundo de Resolução) em 2022 face ao que previa há cerca de um mês, revelou o IGCP (a agência que gere a dívida pública), numa nota enviada aos jornais, esta terça-feira.
Assim, em vez de 10,4 mil milhões de euros estimados no início de dezembro passado, o Estado (a parte do governo que inclui os ministérios e os serviços públicos mais centrais) vai precisar de 10,9 mil milhões de euros.
Segundo o IGCP, o défice estatal previsto para este ano até continua igual, nos 8,7 mil milhões de euros, mas os apoios públicos com vista ao "refinanciamento de outras entidades públicas (nomeadamente empresas públicas) e linhas de crédito ao Fundo de Resolução (nacional) e Fundo de Resolução Europeu" subiram na exata medida dos referidos 500 milhões de euros entre dezembro e agora: a previsão para estes encargos agravou-se de 1,7 mil milhões de euros para 2,2 mil milhões de euros.
"O montante das necessidades de financiamento líquidas do Estado no ano de 2022 deverá situar-se em cerca de 10,9 mil milhões de euros", refere o IGCP no comunicado oficial.
"A estratégia de financiamento para 2022 centrar-se-á na emissão de títulos de dívida pública nos mercados financeiros em euros com realização regular de emissões de Obrigações do Tesouro (OT), para promover a liquidez e um funcionamento eficiente dos mercados primário e secundário".
As "oportunidades para realizar operações de troca e recompras de títulos serão exploradas" e a meta para as emissões brutas de Obrigações do Tesouro (OT) é de 17,7 mil milhões de euros até ao final deste ano.
Além disso, "em 2022, espera-se que o financiamento líquido resultante da emissão de bilhetes do tesouro (BT, dívida de curto prazo) produzirá um impacto positivo de 3 mil milhões de euros" no endividamento global deste ano.